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  • O que esperar para a economia brasileira em 2021, por Gustavo Franco

    Em live promovida pela Taler Gestão de Patrimônio, o sócio-fundador da Rio Bravo Investimentos e ex-presidente do Banco Central comentou sobre aspectos econômicos que o investidor deve ficar de olho

    Prestes a dizer adeus, o ano de 2020 não foi fácil para a economia. A pandemia do coronavírus abalou os mercados mundiais. No Brasil, a quarentena foi decretada em março, com o fechamento dos comércios e restrições aos serviços, provocando queda do ritmo econômico e aumento do desemprego. Quais as expectativas para 2021? O futuro ainda é incerto, a recuperação segue em passos lentos e a orientação ao investidor é ter cautela.

    A Taler Gestão de Patrimônio discutiu as perspectivas econômicas para 2021 em live com Gustavo Franco, o sócio-fundador da Rio Bravo Investimentos e ex-presidente do Banco Central (BC). Em conversa com Renato Pupo Netto Iversson, sócio da Taler, o economista fez uma retrospectiva dos principais aspectos que impactam o país e o que devemos acompanhar no próximo ano.

    Você pode assistir ao vídeo completo no final da matéria e no canal da Taler no Youtube.

    Inflação

    Para Gustavo Franco, a inflação deve ser acompanhada com preocupação. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) e o IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado) estão discrepantes. O descolamento entre os dois índices pode ser explicado pela desvalorização do real. Por enquanto, as previsões do BC são de que a inflação para os próximos anos se manterá dentro da meta. “Vai requerer um monitoramento refinado do BC para tentar se antecipar em verificar um sinal de desestabilização de expectativas.”

    Dívida pública

    A pandemia elevou os gastos públicos e reduziu as receitas do governo, e como consequência sairemos de 2020 com uma dívida pública de cerca de 100% do PIB. “Ano que que vem será o primeiro em que teremos esse nível de endividamento e despesa com juros. Nos ajuda o fato de que historicamente a Selic é a mais baixa em muito anos”, diz Gustavo Franco.

    O ex-presidente do BC lembra das recentes crises fiscais sofridas por estados, como Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Há dúvidas se o colapso que atrasou o pagamento de servidores e aposentados poderia chegar à esfera federal. De acordo com Gustavo Franco, o governo federal está preocupado em mergulhar na irresponsabilidade fiscal. O sinal de alerta veio justamente do caos fiscal vivido por alguns estados.

    Auxílio emergencial

    O governo concedeu o auxílio emergencial para ajudar famílias que perderam renda na pandemia. As parcelas foram por três meses no valor de R$600, e depois prolongadas por R$300 até 31 de dezembro. O dilema é se o governo irá manter algum tipo de transferência de renda nos próximos meses, com o aperto das contas públicas.

    O economista comenta que, em alguns estados, os valores do auxílio até aumentaram a renda real, aqueceram setores econômicos e elevaram a taxa de poupança. “O ideal seria que o auxílio fosse substituído por um mecanismo que, inclusive, consolidasse outros programas de transferência direta”, defende. Algumas ideias são de unificar o auxílio emergencial com abono salarial e bolsa-família.  O desafio é fazer o dinheiro chegar para quem realmente precisa.

    Investimentos em 2121

    O cenário de queda na taxa de juros empurra os brasileiros para investimentos de maior risco. Se por um lado a mudança beneficia o aquecimento econômico do Brasil, por outro diminui a rentabilidade da renda fixa e títulos públicos.

    Na opinião de Gustavo Franco, determinadas classes de ativos ainda reservam potencial de crescimento, com capacidade de atrair mais investidores, como produtos estruturados (FIDC, CRI, CRA) e os fundos imobiliários.

    Para ficar no radar em 2021, o estrategista-chefe da Rio Bravo também destaca as novidades do mundo digital aplicadas ao mercado financeiro. Os fundos quantitativos, ou chamados de fundos quants, crescem como opção interessante. A composição de uma carteira é feita por algoritmos, programação e modelos matemáticos, a partir de uma análise quantitativa. Com o uso da tecnologia, o objetivo é proteger os investimentos das oscilações do mercado e minimizar os julgamentos subjetivos.

    Por fim, a ajuda de um profissional pode fazer a diferença para quem quer investir em títulos com maior grau de complexibilidade. O apoio de gestores auxilia na busca por boas oportunidades e um acompanhamento frequente da carteira. “Como o investidor terá que penetrar em áreas novas, em classes de ativos diferentes, o perigo são as fórmulas mágicas. A recomendação é: procure um profissional. Se aconselhe e se informe”, afirma Gustavo Franco.

     

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