eleições americanas

  • CARTA MENSAL TALER – JANEIRO 2021


    “It all comes down to interest rates. As an investor, all you’re doing is putting up a lump-sum payment for a future cash flow.”

    Ray Dalio

    O ano de 2020 foi marcado por diversas mudanças abruptas, tanto nos mercados como em nossas vidas. A pandemia do coronavírus onerou fortemente a economia mundial, fragilizando diversos setores, punindo os mercados de trabalho e causando um salto sem precedentes no já preocupante nível de endividamento mundial, sobretudo nas economias desenvolvidas. No entanto, a recuperação dos mercados foi tão inusitada quanto o choque que se abateu sobre a economia, com uma rodada de estímulos fiscais e injeções de liquidez nunca antes vistas; o que ajudou fortemente a aliviar as condições financeiras dos países. O ano de 2021 começa com um tom mais otimista, com a perspectiva de uma massiva campanha de vacinação que deverá permitir uma recuperação mais ampla da economia e do mercado trabalho, juntamente com mais uma rodada de estímulos nos países desenvolvidos.

    No cenário internacional, os desenvolvimentos do mês foram positivos para os ativos de risco. Por um lado, iniciaram-se as campanhas de vacinação mundo afora, que devem tomar uma boa parte do primeiro semestre até que vejamos alguma resposta relevante em termos de imunização, principalmente porque a maioria das vacinas conta com mais de uma dose para atingir uma eficácia significativa. Não obstante, já temos 3 vacinas aprovadas em diversos países para uso massivo e 7 vacinas aprovadas para uso limitado. Por enquanto, Israel lidera a corrida de imunização com cerca de 20% da sua população vacinada, enquanto os EUA têm cerca de 2% da população que já recebeu a primeira dose.

    Nos EUA, mais um pacote de estímulos foi aprovado; serão R$ 900 Bi a serem entregues em ajuda para as famílias e ampliação do benefício do seguro desemprego. Os dois pacotes ficais lançados até agora já somam quase 1/5 do PIB americano. Ainda, é possível que o escopo deste impulso fiscal acabe aumentando em decorrência da finalização das eleições para o senado na Georgia, que acabaram dando mais poder político para os democratas, garantindo o voto de minerva para a vice-presidente Kamala Harris. Com isso, a agenda democrata que almeja aumentar as alíquotas de impostos corporativos, aumentar regulações sobre empresas de tecnologia e, finalmente, ampliar o estímulo para cerca de US$ 3 Tri tornou-se mais provável de se materializar. Esse evento contribuiu para a abertura nas taxas dos títulos de 10 anos do governo americano, que romperam a barreira do 1% e com o aumento da inflação implícita americana, onde o vencimento de 2 anos já supera a meta de 2% do Fed, que adotou recentemente a política de meta de inflação média. O novo panorama de política adotado permite que a inflação permaneça acima da meta por algum tempo para compensar o período onde a meta rodou abaixo de 2%. A Zona do Euro segue sendo uma das regiões mais abaladas pela pandemia, com uma importante escalada das políticas de distanciamento no começo deste ano. Com isso, o BCE, autoridade monetária da Zona do Euro, anunciou o aumento dos estímulos monetários para este ano, o que deve acarretar em um aumento no ritmo do programa de compra de ativos (PEEP).

    No Brasil, como reflexo do massivo impulso fiscal empreendido pelo governo, o setor de bens desempenhou um papel importante na recuperação econômica e o mercado de trabalho tem respondido com uma velocidade relativamente alta, embora o caminho da recuperação ainda seja longo. Do lado político, o final do ano trouxe notícias positivas com a aprovação da LDO e a prudente decisão de não renovar o auxílio emergencial, mas as eleições das casas legislativas em fevereiro serão um ponto importante para a aprovação da agenda de consolidação fiscal. Prospectivamente, a não extensão do auxílio emergencial já começa a se refletir nos indicadores de confiança de consumo e de serviços, que se estabilizaram. Em contrapartida, a taxa de poupança nas máximas históricas deve ser um elemento de suporte para a retirada do benefício fiscal, conforme as famílias usem esse colchão de liquidez para suportar seus gastos. Além disso, dados mais positivos com relação à atividade no 4 º Tri podem trazer uma surpresa positiva com relação ao ritmo da recuperação econômica no país, principalmente na parte de bens industriais. Parece claro para nós que o controle e superação da pandemia continuará sendo o fator principal que deve guiar a retomada do crescimento econômico no país este ano. Alguns fatores pontuais como a postergação do reajuste das tarifas de ônibus nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo e a decisão de não aumentar o ICMS em São Paulo são elementos que tiram pressão sobre a inflação de curto prazo, mas dada a reversão das expectativas de inflação é provável que o Banco Central inicie o processo de normalização de juros em algum momento deste semestre.

    O cenário de recuperação global e de taxas de juros muito baixas por um horizonte relevante nas economias desenvolvidas continua a favorecer uma alocação em ativos de risco. Seguimos atentos aos desenvolvimentos políticos no Brasil, especialmente as eleições para a presidência da Câmara e do Senado. No geral, o tema de repressão financeira hoje continua tão importante quanto no ano passado, e deve perdurar por um horizonte relevante de tempo.

  • Carta Mensal Taler – Dezembro 2020

    ““Prices are too high” is far from synonymous with “The next move will be downward.” Things can be overpriced and stay that way for a long time … or become far more so.”

    Howard Marks

    O mês de novembro foi marcado por um ambiente benigno para ativos de risco nos mercados globais decorrente da diminuição das incertezas com relação à eleição nos Estados Unidos e da perspectiva de uma recuperação mais ampla da economia graças a notícias favoráveis das vacinas. No Brasil, a agenda política pouco andou em decorrência das eleições municipais, mas bom humor global contaminou os mercados com uma entrada de R$ 33 bilhões do investidor estrangeiro na bolsa local, que teve seu melhor mês desde 2016, subindo 15,90%.

    Um dos vetores de otimismo global no mês veio das eleições americanas. O candidato democrata Joe Biden foi eleito o 46º presidente dos Estados Unidos e o medo de judicialização das eleições desapareceu. Com isso, houve uma melhora na perspectiva de um novo pacote de estímulos para a economia americana e das expectativas com relação à política externa em torno de um governo mais favorável à globalização e comércio internacional. A perspectiva de um maior volume de comércio entre os países e maior crescimento Chinês pode ter favorecido um movimento de entrada em países como o Brasil, onde a bolsa estava mais descontada em relação aos seus pares. Acreditamos que ainda é cedo para bater o martelo sobre como será a política externa americana nos próximos anos, mas a abundância de liquidez nos mercados internacionais faz com que o mercado compre no rumor e venda na notícia.

    Com relação à Covid-19, tivemos múltiplos desenvolvimentos positivos de tratamentos e vacinas. No dia 09 de novembro, a vacina de RNA mensageiro (mRNA) da Pfizer/BioNTech apresentou dados preliminares indicando que a vacina obteve uma efetividade estimada em 90%. Duas semanas depois, outra vacina de mRNA da Moderna também apresentou dados preliminares positivos e tivemos a aprovação emergencial da FDA para o coquetel de tratamento da Regeneron (REGN-COV2). A perspectiva mais material da resolução da crise da Covid-19 incitou um movimento de rotação no mercado acionário, que saiu de ações de “crescimento” para ações de “valor”, algo que também foi benéfico para as blue chips brasileiras.

    No cenário local, a agenda política ficou parada enquanto as eleições municipais marcaram uma vitória para os partidos de centro, que abocanharam a maior parte dos orçamentos municipais. No curto prazo, o otimismo global tomou conta do mercado de ações, enquanto a curva de juros continuou a sofrer com o aumento da inflação de curto prazo. As preocupações com relação ao fiscal se mantém e a resolução deste problema deve exigir uma ampla agenda de reformas para o ano que vem.

  • Eleições Americanas II


    A eleição norte-americana é, sem dúvida, um assunto que poderíamos discorrer abordando diversas frentes. Após trazermos o funcionamento do pleito, assim como, uma breve apresentação dos candidatos e o que cada um pensa em questões chave, pensamos em dar uma continuação, já que ela será, tudo indica, a mais controversa de todos os tempos.

    Gráfico de intenção de votos segundo o site RealClearPolitics.

    Elaboração: Taler

    Eleições no radar dos investidores

    Já foi citado e não precisamos repetir o peso que um evento como esse possui nos mercados. Segundo o jornal Valor Economico, uma pesquisa global realizada pelo Grupo deVere, uma das maiores organizações independentes de consultoria financeira do mundo, perguntou a mais de 700 clientes: “Qual é a sua maior preocupação de investimento para o resto de 2020?” 72% dos entrevistados disseram que uma eleição contestada dos EUA é o maior risco. Em segundo lugar, o impacto de uma segunda onda de covid-19 foi mencionado 18% e, por fim, a guerra comercial EUA-China, com 5%. Os 5% restantes foram compostos por outras questões geopolíticas, como o Brexit.

    Calendário

    Já apresentamos as principais diferenças entre a eleição nos EUA e no Brasil. Por isso, não vamos entrar novamente nelas. Mas destacamos que a principal diferença é que a eleição lá é no esquema “winner takes all”, ou seja, se o candidato ganhou por 1 voto em certo estado ele leva todos delegados correspondentes e não sua proporcionalidade.

    Outro ponto de diferença marcante é que nos EUA os votos não acontecem apenas no dia da eleição, como no Brasil. Mas por lá, por o voto não ser obrigatório, a votação começa bem antes.

    A partir de setembro, os eleitores podem visitar um local de votação ou votar por carta. Para essa eleição a expectativa é que até 70 milhões de pessoas votem pelos correios, um número 3 vezes superior quando comparado às eleições de 2016. Para se ter uma ideia de quão relevante é esse número, isso é representa quase metade dos cidadãos aptos a escolher seus representantes.

    Mas votar pelo correio não é tao simples em todo país e funciona de maneira diferente dependendo do estado. Podemos separar o modo como é feito em 3 maneiras:

    a) Como e quem pode votar: todos os estados americanos permitem. Mas ao mesmo tempo, cada um deles pode ter sua própria regra eleitoral. Nove estados enviam células para todos os eleitores automaticamente, sem requerimento prévio. Nos outros 41 é preciso solicitá-las, sendo que em 5 deles é pedido uma justificativa para votar à distância. Não há custos para o envio. Mas alguns estados tornam a experiência um pouco mais difícil, adicionando burocracias;

    b) Prazos: em alguns estados, como em Indiana, é preciso pedir a célula com no mínimo 2 semanas de antecedência do pleito, já em outros, como Ohio, por exemplo, isso pode ser feito em até 3 dias;

    c) Apuração: da mesma forma, cada um dos estados tem seu prazo e forma. A Flórida, para exemplificar, inicia a contagem 22 dias antes da eleição, Colorado 15 dias antes, Arizona 2 semanas antes. Seis deles, no entanto, não permitem a contagem antes do dia oficial (Pensilvânia, Wisconsin, Dakota do Sul, Wyoming, Mississípi e Alabama), o que pode significar que o resultado pode demorar a sair por mais de 1 semana;

    Além disso teremos debates, não só dos presidenciáveis, mas também dos vices.


    Primeiro debate dos Presidenciáveis

    Ocorreu no dia 29 do mês passado. Foi vergonhoso e pouco proveitoso para os eleitores tomarem algum tipo de decisão. Marcado por troca de acusações e constantes interrupções por parte do republicano, que obrigaram o mediador a intervir em mais de uma ocasião.

    Joe Biden, conhecido pela dificuldade na oratória, estava sob escrutínio. Segundo a mídia especializada, seu desempenho foi em linha com o esperado. O democrata usou palavras pesadas como ‘cale a boca’, ‘palhaço’ e ‘racista’ numa tentativa de interromper os ataques do republicano.

    Biden atacou o presidente sobre temas relevantes e polémicos, como o modo como lidou com a pandemia, tentativas de derrubar o Obamacare e falha ao apresentar propostas alternativas para eles.Já Trump assumiu postura mais agressiva, se utilizando das interrupções para mudar o foco do debate quando conveniente. Em geral, o presidente buscou associar Biden à ala “radical” e “socialista” do partido democrata e soube pressionar seu adversário sobre temas como os negócios no exterior de seu filho, Hunter Biden.

    Debate dos vices

    debate entre Kamala Harris e Mike Pence na noite do dia 7/10 foi marcado pela cordialidade entre os candidatos à vice-presidência dos Estados Unidos, tom bem diferente do clima acalorado entre Donald Trump e Joe Biden no primeiro debate.

    Ambos são potenciais candidatos à presidência para as eleições de 2024. Donald Trump não poderá concorrer a um terceiro mandato, enquanto Biden, com 82 anos no próximo pleito, já adiantou a possibilidade de não ser candidato à reeleição.

    Kamala chamou o modo como Trump lidou com a pandemia de “o maior fracasso”. Também destacou que caso Trump recomendasse uma vacina ela não a tomaria. Afirmação prontamente rebatida por Pence, que disse: “pare de fazer jogos políticos com a vida dos americanos”. Impostos foi outro ponto bastante explorado por ambos, com o vice de Trump acusando Biden de tributar ainda mais os americanos.

    A guerra comercial sino-americana também foi muito debatida. De um lado Pence acusou Biden de associação com o Comunismo, de outro Harris disse que a guerra acelerada por Trump custou centenas de milhares de desempregos nos EUA.

    Outro ponto bastante polemico foi a vaga na Suprema Corte, onde Trump indicou a juíza Amy Coney Barrett. Pence, lógico, defendeu a iniciativa. Já Harris, disse que o mais sensato seria o próximo presidente tomar essa decisão.

    Segundo a rede de notícias CNN, Kamala Harris se saiu melhor no debate.

    Por que essa vaga na Suprema Corte é tão polêmica?

    Até então, a Suprema Corte americana era formada por nove juízes, sendo 5 conservadores e 4 progressistas. Com o falecimento de Ruth Ginsburg, Donald Trump correu para indicar a nova sucessora e o nome cogitado foi de Amy Barret, conhecida pelo conservadorismo em suas decisões, o que manteria a atual divisão. Com sua posse, 6 dos nove juízes consolidará uma maioria indicada por Republicanos.

    É com essa maioria que Donald Trump espera que se saia vitorioso em temas que seriam decididos pela Corte. Alguns deles bastante polêmicos. Entre os principais:

    • Obamacare: Trump é contra. Ele espera que a Suprema Corte anule esse texto;
    • Aborto: Trump, que defendeu o direito das mulheres ao aborto no passado, agora se opõe à prática, uma questão muito importante para eleitores da direita religiosa;
    • Posse de armas: Trump prometeu proteger a Segunda Emenda à Constituição, que muitos americanos interpretam como garantia ao direito de adquirir e portar armas;
    • Eleições: com suas denuncias, sem provas, que o voto por correspondência pode ser objeto de fraude, uma possível disputa eleitoral pode precisar ser resolvida na Corte;

    Não só o salão oval está em jogo

    Abordamos com frequência quem será o próximo presidente, mas sabemos que ele não governa sozinho. Ele precisa de apoio do congresso, formado pelo Câmara dos Representantes (Camara dos deputados) e pelo Senado.

    Com isso, está em jogo todas as 435 cadeiras da Camara e 35 das 100 posições do Senado.

    De acordo com as mais recentes pesquisas divulgadas, há 99% de chance de os Democratas possuírem maioria na camara dos representantes, com uma representatividade que pode variar entre 50-56% do total. Ou seja, os democratas podem ficar com entre 220 e 262 posições.

    Já no Senado, atualmente controlado pelos Republicanos, das 100 cadeiras existentes, 45 são Democratas, 53 Republicanos e 2 são independentes. Das 35 vagas em disputa, 12 são Democratas e os 23 restantes são Republicanos. Quando se iniciaram as pesquisas, era praticamente dado como certo se manter a maioria Republicana na casa.

    Os números atuais não estão tão altos a favor dos Democratas como estão na Camara, mas ainda sim bastante expressivos. As últimas pesquisas mostram em torno de 70% de chance de ficarem entre 47-57 cadeiras e, assim, assumir a maioria também.

    Quais as consequências?

    Excluindo os fatores chaves que abordamos no relatório passado, pontos que poderiam afetar mais o dia-a-dia dos cidadãos, podemos abordar 3 fatores com impactos significativos.

    a) Eleição contestada: como descrevemos acima, há uma confusão na maneira como funciona a votação pelos correios, pelo menos 300 ações judicias já questionam aspectos dela. Os processos vêm dos dois lados, democrata e republicano, mas, com certeza, por motivos diferentes. Pesquisas mostram que mais democratas vão votar pelos correios esse ano. Os republicanos, por sua vez, tentam restringir essa maneira de votar, alegando possíveis fraudes. Não há indícios de fraudes consideráveis na história das eleições americanas e nem que possa acontecer dessa vez.

    Esse questionamento republicano tem uma razão bem forte. Como mais democratas já afirmaram sua preferência de votar de maneira remota, o que pode acontecer é que no início da contagem Donald Trump possa aparecer na dianteira e que essa liderança desapareça nos dias seguintes, conforme os votos que foram enviados pelos correios comecem a ser apurados (blue shift). Esse fenómeno é chamado pela imprensa de “miragem vermelha”. Isso acabaria sendo o maior temor dos analistas. Trump poderia usar essa liderança parcial e posterior perda como argumento de fraude e, assim, adicionar mais incerteza e, consequentemente, volatilidade.

    b) Formação do Congresso e possíveis apoios: Na média de opiniões de analistas uma vitória de Biden em novembro com os democratas reconquistando o controle do Senado pode resultar em um grande aumento nos impostos e nos gastos federais, junto com uma mudança nas políticas de saúde, regulatórias e comerciais.

    A maior divisão entre os dois candidatos é sobre impostos e gastos. Biden apoia medidas que, se aprovadas na íntegra, aumentariam as receitas e despesas federais em mais de US$ 4 trilhões, ou 10% em relação aos níveis pré-pandêmicos, segundo cálculos da Capital Economics.

    No cenário com Trump vencendo a reeleição, e os republicanos se mantendo no Senado, ajudaria nas aprovações de suas propostas. Suas chances de reconquistar a Câmara parecem cada vez menores, o que deixaria o Congresso dividido. Ao contrário de Biden, Trump expressou apoio a outra rodada de cortes de impostos.

    Qualquer uma das propostas exigiria controle total do Congresso para avançar. Embora seus planos impliquem um tamanho muito diferente do governo federal nos próximos anos, é improvável que isso importe muito para as perspectivas econômicas, porque sob qualquer um dos candidatos a política fiscal permaneceria acomodatícia.

    c) Impactos nos mercados: Tudo isso pode ter influência sobre o desempenho do mercado de ações, mas, com a política fiscal e monetária permanecendo frouxa não importando quem vença, a eleição pode ter um impacto secundário sobre as perspectivas de crescimento econômico para os próximos anos.

    Em resumo, ambas as agendas possuem pontos positivos e negativos:

    • Do presidente Trump inclui: aspectos positivos como impostos corporativos baixos, menos regulação governamental e projetos de infraestrutura; e aspectos negativos como mais incerteza em relação a tratados comerciais e a China;
    • Do candidato Biden: aspectos positivos, como a redução da desigualdade de renda, a promoção da energia limpa, gastos com infraestrutura e mais previsibilidade com relação à política comercial e a China; e aspectos negativos, como um aumento nos impostos corporativos e mais regulação governamental;

    E a China?

    Talvez essa possa ser a principal questão para a economia global. Joe Biden, possivelmente, adotaria uma abordagem menos agressiva, mas não impediria uma maior dissociação com a China.

    Segundo a Capital Economics, a distância que se formou entre a China e os EUA foi causado pelo surgimento da China como um competidor geopolítico dos EUA, e não pela personalidade de Donald Trump em si. A pandemia apenas reforçou a ênfase do país asiático em seu modelo liderado pelo Estado, focado na promoção da inovação doméstica. Portanto, sob qualquer um dos candidatos, a guerra “comercial” provavelmente se espalhará para novos limites no acesso ao mercado e fluxos de tecnologia (e possivelmente finanças).

    No entanto, Biden provavelmente adotaria uma abordagem diferente para lidar com a ameaça da China. Em particular, sua ênfase seria na construção de uma coalizão de aliados para resistir as investidas chinesa. Isso poderia ajudar a fortalecer as relações dos EUA com a Europa em particular, e a dar um novo fôlego ao multilateralismo.

    No fim das contas:

    Independentemente de quem assuma a Casa Branca e da composição do Congresso em janeiro de 2021, uma recuperação econômica gradual e o apoio contínuo do FED aos mercados financeiros podem significar que as perspectivas para as ações dos EUA são promissoras.

     

    Referências Bibliográficas

    https://www.capitaleconomics.com/us-election-2020/

    https://www.cnbc.com/elections/

    https://www.nytimes.com/interactive/2019/us/elections/2020-presidential-election-calendar.html

    https://projects.economist.com/us-2020-forecast/house

    https://valor.globo.com/wall-concurrence/?next=https://valor.globo.com/financas/noticia/2020/09/29/eleicao-nos-eua-entra-de-vez-no-radar-do-investidor.ghtml

    https://valor.globo.com/financas/coluna/implicacoes-da-eleicao-nos-eua-para-os-investimentos.ghtml

    https://projects.fivethirtyeight.com/polls/president-general/national/

    https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2020/10/06/numero-recorde-de-eleitores-vai-votar-pelo-correio-nos-eua-em-2020.ghtml

    https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/2020/10/08/covid-19-e-trump-dominam-debate-entre-candidatos-a-vice-presidencia-dos-eua?utm_source=CNN+Brasil+Newsletter&utm_campaign=36b23e0126-NEWSLETTER-5-FATOS_COPY_01&utm_medium=email&utm_term=0_8f0e69a1e0-36b23e0126-346166944

    https://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,para-entender-temas-que-sao-debatidos-na-suprema-corte-dos-eua,70003451520

  • Eleições Americanas

    A eleição norte-americana é, invariavelmente, o evento político mais aguardado
    e acompanhado do planeta, tanto por sua relevância, quanto seus impactos em diversas
    frentes. Por essa razão, decidimos construir um compilado explicando o funcionamento
    do pleito, assim como, as principais ideias dos candidatos em temas diversos, sem realizar
    juízo de valor. A ideia aqui é discorrer sobre um assunto complexo de forma simples.

    Como funciona?

    Para se candidatar à Presidência nos Estados Unidos é preciso ter mais de 35 anos de idade,
    ser nascido nos EUA e viver lá por ao menos 14 anos.

    Os EUA possuem aproximadamente 330 milhões de habitantes. Como o voto não
    é obrigatório, somente 129 milhões de pessoas se registraram para votar na última eleição.
    As eleições geralmente ocorrem no mês de novembro, sendo que para esse ano estão
    programadas para iniciar no dia 03.

    Eleições Primárias

    Primeiro os eleitores escolhem os candidatos à Presidência de cada partido. Existem
    diversos nos EUA. Porém, dois elegem mais presidentes, são eles: O Democratas (Azuis)
    e os Republicanos (Vermelhos).

    Existem dois tipos de eleições primárias, as abertas e fechadas. Nos dois principais partidos,
    (Democrata e Republicano), existem dois mecanismos que são utilizados: primárias
    e caucus. As primárias constituem eleições onde os eleitores votam em “delegados
    compromissados”, ou seja, pessoas que se comprometem a votar em determinado
    pré-candidato. No caucus as pessoas se reúnem (em casas, escolas, bibliotecas, igrejas etc)
    e debatem quem é o melhor pré-candidato para defender suas ideais e escolhem delegados
    de bairro que se alinham com o pré-candidato de sua preferência.

    As prévias começam bem antes das eleições e o candidato escolhido é confirmado
    nas Convenções Partidárias.

    Colégios Eleitorais
    Como destacado acima, nos Estados Unidos, o povo não vota diretamente em seu
    candidato à Presidência da República. A população decide quem vai escolher o seu líder,
    os chamados delegados.

    Relativo ao número de habitantes há um número de delegados em cada estado. Sendo
    assim, quanto mais populoso, maior o número de delegados. Dessa maneira, é constituído
    o Colégio Eleitoral estadual, que deve ter, no mínimo, três delegados. Foi a Constituição,
    em 1787, que instituiu a autonomia dos Estados. Cada um dos 50 existentes nos EUA decide
    como escolherá seus delegados (se os eleitores devem ser filiados ou não aos partidos,
    por exemplo).

    Ao todo, existem 538 delegados que fazem parte do Colégio Eleitoral. Vence o pleito o
    candidato que somar 50% mais 1 dos votos dos delegados (271). Por mais que o candidato
    receba votos populares, o mais importante é ter votos desse Colégio.

    Na grande maioria das vezes, o Colégio Eleitoral segue a tendência da população.
    Porém, por cinco vezes², os delegados optaram por um candidato não escolhido pelo voto
    popular. O Estado com o maior número de delegados é a Califórnia, que possui 40 milhões
    de habitantes e 55 delegados. A vitória na Califórnia representa conquistar 10% dos votos
    de todos os delegados do país.

    Notas

    ¹ Caucuses são reuniões privadas dirigidas por partidos políticos. Eles são mantidos em nível
    de condado, distrito ou nacional. Na maioria, os participantes se dividem em grupos de
    acordo com o candidato que apoiam. Os eleitores indecisos formam seu próprio grupo.
    Cada grupo faz discursos de apoio ao candidato e tenta fazer com que outros se juntem
    ao seu grupo. No final, o número de eleitores em cada grupo determina quantos delegados
    cada candidato ganhou.

    ² É possível ganhar o Colégio Eleitoral, mas perder o voto popular. Isso aconteceu em 2016,
    em 2000 e três vezes em 1800. Donald Trump venceu Hillary Clinton perdendo no voto
    popular, 62,9 milhões vs 65,8 milhões de votos, respectivamente.

    ³ https://amers1.apps.cp.thomsonreuters.com/web/apps/newsservices/mediaProxy?apiKey=24afa7d8-4c90-4700-8b2e-b5b1ce7d5b16&url=https%3A%2F%2Fgraphics.reuters.com%2FUSA-ELECTION%2FPOLICY%2Fjznvnzmdnvl%2Findex.html

    4 https://edition.cnn.com/2018/08/13/politics/omarosa-white-house-diversity/index.html

    Referências Bibliográficas

    https://www.usa.gov/election

    https://promiseskept.com/

    https://joebiden.com/

    https://www.bbc.com/portuguese/internacional-37902090

    https://amers1.apps.cp.thomsonreuters.com/web/apps/newsservices/mediaProxy?apiKey=24afa7d8-4c90-4700-8b2e-b5b1ce7d5b16&url=https%3A%2F%2Fgraphics.reuters.com%2FUSAELECTION%2FPOLICY%2Fjznvnzmdnvl%2Findex.html

    https://graphics.reuters.com/USA-ELECTION/010091471JC/index.html

    https://graphics.reuters.com/USA-ELECTION-CALENDAR/0100B31F26V/index.html

    https://www.ubs.com/global/en/wealth-management/chief-investment-office/market-insights/regional-outlook/us-elections.html

    https://edition.cnn.com/election/2020/primaries-and-caucuses

    https://www.cnbc.com/elections/

     

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