carta mensal

  • CARTA MENSAL – FEVEREIRO 2021

    “You want to have a future where you are expecting things to be better, not one where you are expecting things to be worse.”

    Elon Musk

     

    O mês de janeiro foi marcado pela alta volatilidade nos preços de ativos, tanto no cenário internacional como local. Globalmente, as campanhas de vacinação vão ganhando tração e parecem gerar uma queda significante nos níveis de hospitalizações, o que favorece uma perspectiva de recuperação mais ampla da economia e o tão esperado alívio nas medidas de distanciamento. Por outro lado, algumas notícias com relação a novas variantes da doença e novas medidas de distanciamento geraram questionamentos com relação ao ritmo da recuperação e a volta a normalidade. Além disso, tivemos alguns episódios especulativos no mercado que contribuíram para mais volatilidade, porém acreditamos que são eventos irrisórios considerando nosso horizonte relevante de investimento.

    No Brasil, a eleição para a presidência da Câmara e do Senado também gerou altos e baixos, com todos os candidatos à presidência das casas se mostrando inclinados a discutir uma renovação do auxílio emergencial. Os candidatos apoiados pelo governo foram eleitos em ambas as casas, o que afastou algumas preocupações imediatas, como a pauta de impeachment do Presidente e criou uma perspectiva de andamento da agenda de reformas.

    Nos Estados Unidos, a vitória na eleição para o Senado no estado da Georgia propiciou um aumento do poder dos Democratas e o andamento de outros itens da agenda do partido, como a aprovação de um maior pacote de estímulos fiscais, que segue em discussão e provavelmente se materializará. A somatória dos pacotes fiscais em resposta à pandemia chegará a quase 25% do PIB americano, se o pacote for aprovado. Além disso, o Fed que continua a sinalizar uma política monetária super estimulativa, mais tolerante com a inflação, e as vacinas devem promover a normalização da atividade, recuperando setores mais afetados pelo distanciamento. Esses vetores conspiraram para expectativas de inflação crescentes e um aumento relevante das taxas nominais dos títulos de 10 anos do governo americano. O cenário internacional segue uma trajetória construtiva para a recuperação da atividade, uma vez que os países desenvolvidos
    seguem vacinando sua população e sinalizando mais políticas estimulativas.

    No Brasil, os dados de atividade seguem surpreeendendo positivamente. O mercado de trabalho está mostrando uma dinâmica de recuperação rápida e principalmente os dados do setor industrial estão trazendo perspectivas melhores. A tendência dos preços aparenta seguir uma trajetória altista  após as políticas estimulativas empreendidas durante a pandeima, com alguns riscos adicionais, como a alta do preço das commoditites sem a contrapartida de enfraquecimento do dólar.

    Continuamos a acreditar que o COPOM deve começar o ciclo de normalização da taxa de juros entre suas duas próximas reuniões, com a Selic ficando próxima de 4% ainda neste ano. Com relação aos desafios fiscais, acreditamos que o país enfrenta um problema secular em nossa história e alguns agravantes vindo da maneira como nosso sistema político é estruturado, mas o panorama ficou mais positivo. Por enquanto, os eleitos para as presidências das casas se mostraram favoráveis a uma renovação do auxílio emergencial por alguns meses, mas também endossaram um discurso alinhado com o avanço da agenda de reformas e a pauta econômica do governo.

    A estrada de reformas que precisamos seguir deve ser tortuosa nos meses à frente e historicamente enfrenta barreiras políticas. Outro ponto que agrava esta situação é a relativa proximidade das eleições de 2022 e a deterioração da aprovação do governo, mostrada nas pesquisas mais recentes. Esses fatores podem propiciar soluções politicamente aceitáveis, mas economicamente desafiadoras. Por enquanto, o mercado está de lua de mel com o novo grupo de políticos que controla as casas; e estes têm mostrado algum comprometimento com algumas reformas, mas resta saber se a prática conversará com a retórica. Seguimos especialmente atentos ao ritmo de vacinação dos países e desdobramentos da pandemia, que ainda deixa incertezas relevantes no horizonte.


  • CARTA MENSAL TALER – JANEIRO 2021


    “It all comes down to interest rates. As an investor, all you’re doing is putting up a lump-sum payment for a future cash flow.”

    Ray Dalio

    O ano de 2020 foi marcado por diversas mudanças abruptas, tanto nos mercados como em nossas vidas. A pandemia do coronavírus onerou fortemente a economia mundial, fragilizando diversos setores, punindo os mercados de trabalho e causando um salto sem precedentes no já preocupante nível de endividamento mundial, sobretudo nas economias desenvolvidas. No entanto, a recuperação dos mercados foi tão inusitada quanto o choque que se abateu sobre a economia, com uma rodada de estímulos fiscais e injeções de liquidez nunca antes vistas; o que ajudou fortemente a aliviar as condições financeiras dos países. O ano de 2021 começa com um tom mais otimista, com a perspectiva de uma massiva campanha de vacinação que deverá permitir uma recuperação mais ampla da economia e do mercado trabalho, juntamente com mais uma rodada de estímulos nos países desenvolvidos.

    No cenário internacional, os desenvolvimentos do mês foram positivos para os ativos de risco. Por um lado, iniciaram-se as campanhas de vacinação mundo afora, que devem tomar uma boa parte do primeiro semestre até que vejamos alguma resposta relevante em termos de imunização, principalmente porque a maioria das vacinas conta com mais de uma dose para atingir uma eficácia significativa. Não obstante, já temos 3 vacinas aprovadas em diversos países para uso massivo e 7 vacinas aprovadas para uso limitado. Por enquanto, Israel lidera a corrida de imunização com cerca de 20% da sua população vacinada, enquanto os EUA têm cerca de 2% da população que já recebeu a primeira dose.

    Nos EUA, mais um pacote de estímulos foi aprovado; serão R$ 900 Bi a serem entregues em ajuda para as famílias e ampliação do benefício do seguro desemprego. Os dois pacotes ficais lançados até agora já somam quase 1/5 do PIB americano. Ainda, é possível que o escopo deste impulso fiscal acabe aumentando em decorrência da finalização das eleições para o senado na Georgia, que acabaram dando mais poder político para os democratas, garantindo o voto de minerva para a vice-presidente Kamala Harris. Com isso, a agenda democrata que almeja aumentar as alíquotas de impostos corporativos, aumentar regulações sobre empresas de tecnologia e, finalmente, ampliar o estímulo para cerca de US$ 3 Tri tornou-se mais provável de se materializar. Esse evento contribuiu para a abertura nas taxas dos títulos de 10 anos do governo americano, que romperam a barreira do 1% e com o aumento da inflação implícita americana, onde o vencimento de 2 anos já supera a meta de 2% do Fed, que adotou recentemente a política de meta de inflação média. O novo panorama de política adotado permite que a inflação permaneça acima da meta por algum tempo para compensar o período onde a meta rodou abaixo de 2%. A Zona do Euro segue sendo uma das regiões mais abaladas pela pandemia, com uma importante escalada das políticas de distanciamento no começo deste ano. Com isso, o BCE, autoridade monetária da Zona do Euro, anunciou o aumento dos estímulos monetários para este ano, o que deve acarretar em um aumento no ritmo do programa de compra de ativos (PEEP).

    No Brasil, como reflexo do massivo impulso fiscal empreendido pelo governo, o setor de bens desempenhou um papel importante na recuperação econômica e o mercado de trabalho tem respondido com uma velocidade relativamente alta, embora o caminho da recuperação ainda seja longo. Do lado político, o final do ano trouxe notícias positivas com a aprovação da LDO e a prudente decisão de não renovar o auxílio emergencial, mas as eleições das casas legislativas em fevereiro serão um ponto importante para a aprovação da agenda de consolidação fiscal. Prospectivamente, a não extensão do auxílio emergencial já começa a se refletir nos indicadores de confiança de consumo e de serviços, que se estabilizaram. Em contrapartida, a taxa de poupança nas máximas históricas deve ser um elemento de suporte para a retirada do benefício fiscal, conforme as famílias usem esse colchão de liquidez para suportar seus gastos. Além disso, dados mais positivos com relação à atividade no 4 º Tri podem trazer uma surpresa positiva com relação ao ritmo da recuperação econômica no país, principalmente na parte de bens industriais. Parece claro para nós que o controle e superação da pandemia continuará sendo o fator principal que deve guiar a retomada do crescimento econômico no país este ano. Alguns fatores pontuais como a postergação do reajuste das tarifas de ônibus nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo e a decisão de não aumentar o ICMS em São Paulo são elementos que tiram pressão sobre a inflação de curto prazo, mas dada a reversão das expectativas de inflação é provável que o Banco Central inicie o processo de normalização de juros em algum momento deste semestre.

    O cenário de recuperação global e de taxas de juros muito baixas por um horizonte relevante nas economias desenvolvidas continua a favorecer uma alocação em ativos de risco. Seguimos atentos aos desenvolvimentos políticos no Brasil, especialmente as eleições para a presidência da Câmara e do Senado. No geral, o tema de repressão financeira hoje continua tão importante quanto no ano passado, e deve perdurar por um horizonte relevante de tempo.

  • Carta Mensal Taler – Dezembro 2020

    ““Prices are too high” is far from synonymous with “The next move will be downward.” Things can be overpriced and stay that way for a long time … or become far more so.”

    Howard Marks

    O mês de novembro foi marcado por um ambiente benigno para ativos de risco nos mercados globais decorrente da diminuição das incertezas com relação à eleição nos Estados Unidos e da perspectiva de uma recuperação mais ampla da economia graças a notícias favoráveis das vacinas. No Brasil, a agenda política pouco andou em decorrência das eleições municipais, mas bom humor global contaminou os mercados com uma entrada de R$ 33 bilhões do investidor estrangeiro na bolsa local, que teve seu melhor mês desde 2016, subindo 15,90%.

    Um dos vetores de otimismo global no mês veio das eleições americanas. O candidato democrata Joe Biden foi eleito o 46º presidente dos Estados Unidos e o medo de judicialização das eleições desapareceu. Com isso, houve uma melhora na perspectiva de um novo pacote de estímulos para a economia americana e das expectativas com relação à política externa em torno de um governo mais favorável à globalização e comércio internacional. A perspectiva de um maior volume de comércio entre os países e maior crescimento Chinês pode ter favorecido um movimento de entrada em países como o Brasil, onde a bolsa estava mais descontada em relação aos seus pares. Acreditamos que ainda é cedo para bater o martelo sobre como será a política externa americana nos próximos anos, mas a abundância de liquidez nos mercados internacionais faz com que o mercado compre no rumor e venda na notícia.

    Com relação à Covid-19, tivemos múltiplos desenvolvimentos positivos de tratamentos e vacinas. No dia 09 de novembro, a vacina de RNA mensageiro (mRNA) da Pfizer/BioNTech apresentou dados preliminares indicando que a vacina obteve uma efetividade estimada em 90%. Duas semanas depois, outra vacina de mRNA da Moderna também apresentou dados preliminares positivos e tivemos a aprovação emergencial da FDA para o coquetel de tratamento da Regeneron (REGN-COV2). A perspectiva mais material da resolução da crise da Covid-19 incitou um movimento de rotação no mercado acionário, que saiu de ações de “crescimento” para ações de “valor”, algo que também foi benéfico para as blue chips brasileiras.

    No cenário local, a agenda política ficou parada enquanto as eleições municipais marcaram uma vitória para os partidos de centro, que abocanharam a maior parte dos orçamentos municipais. No curto prazo, o otimismo global tomou conta do mercado de ações, enquanto a curva de juros continuou a sofrer com o aumento da inflação de curto prazo. As preocupações com relação ao fiscal se mantém e a resolução deste problema deve exigir uma ampla agenda de reformas para o ano que vem.

  • CARTA MENSAL – NOVEMBRO 2020

    “São todos maus descobridores os que pensam que não há terra quando conseguem ver apenas o mar” Francis Bacon

    Os dados de outubro continuaram a mostrar uma recuperação da atividade nos principais mercados desenvolvidos. Destaque para o PIB dos Estados Unidos, que cresceu a uma taxa anualizada de 33.1% no 3º trimestre, e da China que deve terminar o ano com um crescimento do PIB esperado próximo de 2%.

    Dados da economia real e os indicadores de alta frequência mais positivos propiciaram um ambiente favorável para os ativos de risco ao longo do mês. No entanto, na última semana do mês, o anúncio de novos lockdowns por conta da piora da segunda onda de Covid-19 na Europa e a proximidade das incertezas associadas à eleição americana provocou um forte movimento de aversão ao risco, revertendo a alta do mês em diversos mercados.

    No Brasil, a combinação do estímulo fiscal massivo aliado a melhoria da pandemia segue favorecendo a recuperação da atividade que surpreende positivamente. Vendas no varejo e produção industrial já estão acima dos níveis pré-crise, além de sinais de melhora no mercado de trabalho. Mesmo com uma alta taxa de desemprego em 14.4%, já estamos no 3º mês consecutivo de criação líquida de vagas e uma participação da força de trabalho, embora muito baixa, que parou de piorar.

    O COPOM manteve novamente a taxa Selic em 2% a.a., além de sinalizar que ela deve permanecer neste patamar embora o mercado já esteja precificando uma alta da taxa de juros no primeiro semestre de 2021. Os índices de inflação seguem sendo pressionados pela inflação de bens que já começou a contaminar os núcleos nos últimos meses. As projeções de inflação ainda estão abaixo da meta, mas há claramente um risco maior vindo do repasse cambial, além da escassez na cadeia de suprimentos de bens duráveis que estão influenciando os preços para cima.

    Seguem no radar do Banco central os riscos da retirada do auxílio emergencial, o hiato do produto negativo (PIB inferior ao seu potencial) e o risco de um possível retorno da pandemia. Se o regime fiscal do país for mantido e as expectativas inflacionárias de longo prazo se mantiverem ancoradas, é provável que o choque atual não contamine significativamente a inflação de 2021. A pressão inflacionária recente deve ser naturalmente reduzida pela queda no consumo resultante do vencimento do coronavoucher e pela forte redução do déficit primário para o ano que vem. No entanto, se a âncora fiscal do país não for respeitada, o ajuste cambial será mais severo e provavelmente perderemos a ancoragem da inflação.

    Neste mês, novamente a agenda política pouco caminhou por conta das eleições municipais. Nos parece que o governo não tem mais o fator tempo a seu favor e, cada dia passado sem o avanço desta agenda de reformas, aumentam as chances dos mercados precificarem um cenário fiscal mais negativo. No entanto, o mês foi marcado pelo avanço de algumas pautas legislativas, como o projeto que formaliza a independência do Banco Central, um importante avanço institucional para o país.

    Nos Estados Unidos, tivemos a eleição presidencial com a vitória do candidato democrata Joe Biden, ainda que contestado pelo presidente Donald Trump. A disputa pelas casas, ainda indefinida hoje, aponta para um senado majoritariamente republicano com o controle democrata na Câmara.

    Nossa expectativa é que teremos um novo pacote fiscal, porém menor e sem a contrapartida de aumento de impostos. Além disso, é possível que o governo Biden adote uma postura mais favorável ao comércio internacional, diminuindo a incerteza, e que deve favorecer o crescimento para países emergentes. Por outro lado, a agenda de sustentabilidade e a questão da Amazônia podem criar barreiras para a economia brasileira.

    O maior movimento de aversão a risco no mês veio da Europa, com o índice EuroStoxx caindo 7,4%. A segunda onda da Covid-19 já vinha acelerando sua taxa de contaminação desde o começo de agosto, mas mostrou uma dinâmica ainda mais explosiva em outubro, o que impactou significativamente o número de hospitalizações e causou a adoção de novas restrições de mobilidade em vários países.

    A intensificação do distanciamento social deve impactar negativamente a recuperação da atividade, porém provavelmente em um nível menor do que aquele observado no lockdown de março e abril. Ademais, o ambiente mais desafiador da pandemia deve incitar novamente estímulos de cunho fiscal e monetário por parte das autoridades, o que tende a ser favorável para os mercados no curto prazo, apesar do impacto negativo do confinamento sobre a economia real.

    Além disso, surgiram notícias de uma mutação do vírus em novas cepas encontradas nos Visons, que já teria contaminado alguns humanos na Dinamarca, e que poderia diminuir a eficácia de uma futura vacina. O tema ainda não é consensual e acompanharemos os comentários de especialistas e das autoridades científicas sobre o assunto. O desenvolvimento de vacinas segue forte, com mais 11 atualmente na fase III e 6 aprovadas para uso limitado. Seguimos atentos aos desenvolvimentos da pandemia nos países, aos estímulos e ao ritmo da recuperação econômica.

    Ressaltamos que a posição fiscal onde o Brasil se encontra é extremamente frágil e que uma segunda onda, embora não seja o nosso cenário base, ainda representa um risco importante, uma vez que temos pouco poder de fogo do ponto de vista de estímulos monetários ou fiscais.

     

  • Carta Mensal Taler – Setembro 2020

    O Cobertor Nunca foi Tão Curto

     “A primeira lei da economia é a escassez. E a primeira lei da política é ignorar a primeira lei da economia”

    Thomas Sowell

    No mês de agosto, o mercado brasileiro sofreu com a alta volatilidade decorrente da fraqueza na situação fiscal e preocupações políticas, o que contribuiu para certa descorrelação entre ativos domésticos e ativos no exterior.  O fantasma do desequilíbrio fiscal favoreceu a aversão a risco nos mercados, levando a cotação do dólar a fechar o mês em R$ 5.49, a bolsa a perder a marca dos 100 mil pontos e a uma forte alta nas curvas de juros futuros.

    Com a bandeira do auxílio emergencial e a popularidade em alta nos grupos de baixa renda, o Presidente abriu espaço para discussão da agenda social, representada pelo Programa Renda Brasil, e para a vertente do governo que demanda mais investimento em obras públicas, o que ameaçou o teto de gastos. Houve uma debandada no segundo escalão da equipe econômica, com saída de Salim Mattar e Paulo Uebel, e especulações sobre uma potencial saída do Ministro Paulo Guedes. O legislativo contribuiu para o ceticismo fiscal, após uma tentativa do Senado de derrubar o veto presidencial aos reajustes salariais no funcionalismo público; situação que foi contida pela articulação na Câmara, com protagonismo de Rodrigo Maia.

    Após uma crise de identidade no governo e a reação negativa do mercado, o Presidente deu declarações junto ao Ministro Guedes reforçando o alinhamento entre ambos e o compromisso com o teto de gastos, mas sem abandonar as demandas da agenda social ou investimentos públicos, para a qual a equipe econômica deverá encontrar espaço dentro do teto. O auxílio emergencial foi prorrogado até o final deste ano, em quatro parcelas do benefício de trezentos reais. Isso acumulará cerca de 100 bilhões ao rombo fiscal de 2020 e mais 1.3 pontos percentuais ao déficit primário, que já é maior do que a média dos países desenvolvidos e acumula 7.48% do PIB em 12 meses. O resultado nominal do setor público acumula um déficit de 12.19% do PIB em 12 meses.

    O PIB do 2º trimestre foi muito afetado pelas medidas de distanciamento e teve uma queda pior o que o esperado (9.7%). Por outro lado, os dados de maior frequência já apontam para uma recuperação forte nas vendas no varejo e produção industrial, enquanto o setor de serviços, que representa cerca de 2/3 do PIB, está voltando mais lentamente. O impacto dos estímulos fiscais e o efeito substituição, que vem da queda do consumo em serviços, parece ter criado uma recuperação relativamente rápida, embora heterogênea entre os setores, o que implica consequências negativas para o desemprego no Brasil, visto que o setor de serviços possui participação importante na geração de empregos. O COPOM optou por renovar a mínima da Selic para 2%, consolidando um ciclo que acumula 12.25 pontos percentuais de queda, desde agosto de 2016.  O IGP-M continuou a descolar significativamente do IPCA, impactado por componentes associados ao ciclo externo e ao dólar, como o minério de ferro, mas também por uma pressão dos preços de alimentos no atacado, com um certo grau de repasse ao consumidor. Embora a inflação de serviços siga deprimida, o cenário acrescenta riscos adicionais à próxima decisão de política monetária, que pode frear o ciclo de cortes.

    No cenário externo, as principais economias do mundo continuaram uma recuperação heterogênea e com sinais ambíguos nos índices de confiança, evidenciando a dependência dos estímulos fiscais e monetários neste processo de retomada. Entre todos os países, a China vem mostrando claramente uma recuperação mais vigorosa, principalmente no setor industrial. O destaque do mês foi o simpósio anual de Jackson Hole, onde os representantes do Fed comunicaram a adoção de um novo paradigma de política monetária, com meta de 2% na média. Isso indica que os americanos serão reativos às pressões inflacionárias, o que deve defasar o ciclo de normalização nos países desenvolvidos e dar suporte a um panorama de juros baixos por mais tempo no mundo.

    A Índia tornou-se o novo epicentro de coronavírus, enquanto a contaminação caiu nos EUA e lentamente dá sinais de queda no Brasil. Na Europa, as principais economias voltaram a ter elevações nas suas taxas de contaminação, em especial na França e na Espanha, mas com um número de mortes contido. Quanto a uma eventual vacina, continua improvável uma solução que envolva vacinação a nível global antes da primeira metade de 2021, muito embora alguns países estejam passando por cima de protocolos de segurança para tentar acelerar o processo.

    Mesmo com a atividade econômica mostrando uma recuperação mais vigorosa do que o esperado, muitas incertezas persistem com relação à efetiva duração da pandemia e o impacto de médio prazo nos setores mais afetados e no mercado de trabalho brasileiro. A extensão do auxílio emergencial até o final do ano via Medida Provisória afastou, por hora, a criação de gastos sociais permanentes sem vinculação de receita. Desta forma, o governo avançou na reforma administrativa, que não afetará os servidores atuais, e aprovou com boa margem as alterações regulatórias no mercado de gás, vitória pessoal de Guedes, defensor da pauta desde o início da campanha.

    Os sinais foram positivos e o risco país voltou a níveis próximos aos do início da pandemia. A dívida bruta brasileira como percentual do PIB chegou a 86.5% em julho e deve fechar o ano com um valor próximo de 100%. Sendo o Brasil um país emergente de crescimento relativo baixo, histórico inflacionário e um problema fiscal que cresce há 30 anos, não há muita margem para abandonar as medidas de responsabilidade fiscal e as reformas urgentes do Ministério da Economia para focar em outras pastas.

    A situação fiscal está longe de ser resolvida e o único jeito de evitar respostas ruins do mercado é sinalizar que a trajetória futura da dívida não será explosiva. As medidas fiscais foram uma clara opção de salvamento aos empregos e à economia, mas elas vieram às custas de uma situação fiscal extremamente delicada; o cobertor nunca foi tão curto. Seguimos atentos aos desenvolvimentos da pandemia, aos dados econômicos e às sinalizações do governo para responder aos riscos de forma proativa e aproveitar eventuais oportunidades.

  • Eleições Americanas

    A eleição norte-americana é, invariavelmente, o evento político mais aguardado
    e acompanhado do planeta, tanto por sua relevância, quanto seus impactos em diversas
    frentes. Por essa razão, decidimos construir um compilado explicando o funcionamento
    do pleito, assim como, as principais ideias dos candidatos em temas diversos, sem realizar
    juízo de valor. A ideia aqui é discorrer sobre um assunto complexo de forma simples.

    Como funciona?

    Para se candidatar à Presidência nos Estados Unidos é preciso ter mais de 35 anos de idade,
    ser nascido nos EUA e viver lá por ao menos 14 anos.

    Os EUA possuem aproximadamente 330 milhões de habitantes. Como o voto não
    é obrigatório, somente 129 milhões de pessoas se registraram para votar na última eleição.
    As eleições geralmente ocorrem no mês de novembro, sendo que para esse ano estão
    programadas para iniciar no dia 03.

    Eleições Primárias

    Primeiro os eleitores escolhem os candidatos à Presidência de cada partido. Existem
    diversos nos EUA. Porém, dois elegem mais presidentes, são eles: O Democratas (Azuis)
    e os Republicanos (Vermelhos).

    Existem dois tipos de eleições primárias, as abertas e fechadas. Nos dois principais partidos,
    (Democrata e Republicano), existem dois mecanismos que são utilizados: primárias
    e caucus. As primárias constituem eleições onde os eleitores votam em “delegados
    compromissados”, ou seja, pessoas que se comprometem a votar em determinado
    pré-candidato. No caucus as pessoas se reúnem (em casas, escolas, bibliotecas, igrejas etc)
    e debatem quem é o melhor pré-candidato para defender suas ideais e escolhem delegados
    de bairro que se alinham com o pré-candidato de sua preferência.

    As prévias começam bem antes das eleições e o candidato escolhido é confirmado
    nas Convenções Partidárias.

    Colégios Eleitorais
    Como destacado acima, nos Estados Unidos, o povo não vota diretamente em seu
    candidato à Presidência da República. A população decide quem vai escolher o seu líder,
    os chamados delegados.

    Relativo ao número de habitantes há um número de delegados em cada estado. Sendo
    assim, quanto mais populoso, maior o número de delegados. Dessa maneira, é constituído
    o Colégio Eleitoral estadual, que deve ter, no mínimo, três delegados. Foi a Constituição,
    em 1787, que instituiu a autonomia dos Estados. Cada um dos 50 existentes nos EUA decide
    como escolherá seus delegados (se os eleitores devem ser filiados ou não aos partidos,
    por exemplo).

    Ao todo, existem 538 delegados que fazem parte do Colégio Eleitoral. Vence o pleito o
    candidato que somar 50% mais 1 dos votos dos delegados (271). Por mais que o candidato
    receba votos populares, o mais importante é ter votos desse Colégio.

    Na grande maioria das vezes, o Colégio Eleitoral segue a tendência da população.
    Porém, por cinco vezes², os delegados optaram por um candidato não escolhido pelo voto
    popular. O Estado com o maior número de delegados é a Califórnia, que possui 40 milhões
    de habitantes e 55 delegados. A vitória na Califórnia representa conquistar 10% dos votos
    de todos os delegados do país.

    Notas

    ¹ Caucuses são reuniões privadas dirigidas por partidos políticos. Eles são mantidos em nível
    de condado, distrito ou nacional. Na maioria, os participantes se dividem em grupos de
    acordo com o candidato que apoiam. Os eleitores indecisos formam seu próprio grupo.
    Cada grupo faz discursos de apoio ao candidato e tenta fazer com que outros se juntem
    ao seu grupo. No final, o número de eleitores em cada grupo determina quantos delegados
    cada candidato ganhou.

    ² É possível ganhar o Colégio Eleitoral, mas perder o voto popular. Isso aconteceu em 2016,
    em 2000 e três vezes em 1800. Donald Trump venceu Hillary Clinton perdendo no voto
    popular, 62,9 milhões vs 65,8 milhões de votos, respectivamente.

    ³ https://amers1.apps.cp.thomsonreuters.com/web/apps/newsservices/mediaProxy?apiKey=24afa7d8-4c90-4700-8b2e-b5b1ce7d5b16&url=https%3A%2F%2Fgraphics.reuters.com%2FUSA-ELECTION%2FPOLICY%2Fjznvnzmdnvl%2Findex.html

    4 https://edition.cnn.com/2018/08/13/politics/omarosa-white-house-diversity/index.html

    Referências Bibliográficas

    https://www.usa.gov/election

    https://promiseskept.com/

    https://joebiden.com/

    https://www.bbc.com/portuguese/internacional-37902090

    https://amers1.apps.cp.thomsonreuters.com/web/apps/newsservices/mediaProxy?apiKey=24afa7d8-4c90-4700-8b2e-b5b1ce7d5b16&url=https%3A%2F%2Fgraphics.reuters.com%2FUSAELECTION%2FPOLICY%2Fjznvnzmdnvl%2Findex.html

    https://graphics.reuters.com/USA-ELECTION/010091471JC/index.html

    https://graphics.reuters.com/USA-ELECTION-CALENDAR/0100B31F26V/index.html

    https://www.ubs.com/global/en/wealth-management/chief-investment-office/market-insights/regional-outlook/us-elections.html

    https://edition.cnn.com/election/2020/primaries-and-caucuses

    https://www.cnbc.com/elections/

     

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