Bolsa de Valores

  • Empresas de capital aberto: em quais ações investir?

    Destacamos parâmetros que podem ser considerados pelo investidor e avaliamos o desempenho de três setores econômicos

    Não é tarefa simples selecionar em quais empresas investir. Há uma extensa lista de mais de 450 companhias de capital aberto, com ações negociadas na B3. No mercado internacional, também é possível investir em mais de 720 empresas estrangeiras por meio dos BDRs (Brazilian Depositary Receipts) listados na bolsa brasileira.

    Como avaliar oportunidades e tomar a melhor decisão de investimento?

    É interessante considerar histórico da empresa, valuation, tamanho, setor de atuação, estágio de maturidade, possíveis riscos, perspectivas de crescimento, alavancagem, participação no mercado, preço atual da ação, entre tantos outros parâmetros.

    Na live promovida pela Taler Gestão de Patrimônio, Renato Pupo Netto Iversson, gestor de portfólio da gestora, e Zeca Magalhães, fundador Tarpon, conversaram sobre empresas de capital aberto e teses de investimentos.

    O momento é favorável para investir em ações?

    Na opinião de Zeca Magalhães, a situação econômica atual leva o investidor a correr mais risco para atingir maiores ganhos no longo prazo. Segundo o fundador da Tarpon, é hora do investidor ter um “mindset mais ofensivo”, já que a taxa básica de juros se encontra em níveis historicamente baixos.

    Os participantes da live debateram sobre alguns setores, entre eles, agronegócio, tecnologia e saúde. Confira quais as tendências e o que vale a pena acompanhar ao investir em empresas dos três segmentos.

    Agronegócio

    No Brasil, o agronegócio corresponde a mais de 25% do PIB. O setor mostra resiliência na pandemia e, com o dólar em alta frente ao real, as receitas geradas pelas vendas dos produtos ao mercado externo aumentam. É um bom lugar para tentar se proteger e ganhar dinheiro. Ainda tem muito valor, dependendo de onde investe”, diz Zeca Magalhães.

    Tecnologia

    Ações de empresas como Amazon, Microsoft e Facebook apresentam intensa valorização nos últimos anos. São companhias que nasceram digitais e são gigantes da tecnologia. A orientação para o investidor é não olhar apenas para o passado. É preciso avaliar o potencial para criação de valor. “Transportar para uma visão de futuro é um exercício muito difícil”, comenta o executivo da Tarpon, em relação ao setor.

    Saúde

    Zeca Magalhães destaca que a área de saúde demanda altos custos. Garantir eficiência e focar na prevenção são apenas alguns dos desafios. É verdade que a pandemia acelerou bastante o desenvolvimento do setor, por meio de inovações tecnológicas, investimentos em equipamentos e medicamentos.  Segundo ele, grandes empresas estão de olho em novos negócios e como melhorar esse mercado.

    Para assistir à transmissão da Taler, o vídeo completo está logo abaixo. Inscreva-se no nosso canal no Youtube e acompanhe nosso conteúdo.

  • Os vários mundos das ações

    Com a queda de atratividade da renda fixa, o investidor brasileiro acessa cada vez mais a Bolsa. Em entrevista para o caderno especial Onde Investir Renda Variável, do Estadão, a nossa sócia-fundadora e CEO, Mari Emmanouilides, comenta que para garantir ganhos mais expressivos é preciso sair da zona de conforto.

    Para uma visão de longo prazo nos investimentos, experiência, disciplina e estratégia são fundamentais.

    Leia a reportagem

  • Carta Mensal – Abril 2021

     
    A Importância do Timing

    “Remember, things are never clear until it’s too late.”

    Peter Lynch

     

    No mês de março, os desafios do cenário macroeconômico local voltaram a fomentar episódios de alta volatilidade e de correções, principalmente no mercado de renda fixa. A bolsa brasileira subiu 6% no mês, mas esse número reflete principalmente a inclinação dos juros de mercado e a dinâmica de crescimento no exterior, uma vez que quase 60% do resultado positivo do índice vem de empresas de commodities e de bancos. O país enfrenta provavelmente o pior momento da pandemia, rupturas no ambiente político, queda nas projeções de crescimento, aumento nas projeções de inflação, e uma intensificação das preocupações relacionadas à política fiscal. Como resultado, todos os indicadores relevantes do mercado brasileiro, tanto na renda fixa como na renda variável, fecharam o primeiro trimestre do ano em terreno negativo, com o real desvalorizando 9,41% contra o dólar neste período.

    O cenário internacional continua se mostrando construtivo para a recuperação da atividade econômica, principalmente no grupo de países desenvolvidos que está acelerando a vacinação, como o Reino Unido e os EUA.  O governo americano adiantou de 1º de maio para 19 de abril a data em que adultos de qualquer idade poderão receber pelo menos a primeira dose da vacina contra Covid-19 e o Reino Unido já confirmou a data de reabertura dos comércios considerados não essenciais e de pubs para 12 de abril. O processo de vacinação parece estar levando a uma redução significativa no número de mortes e de hospitalizações, principalmente quando discriminamos os grupos prioritários do restante da população. Esse processo deve iniciar a recuperação dessas economias já no segundo trimestre de 2021.

    Os EUA nos parecem ser o país que sairá melhor e mais rápido da crise, crescendo entre 6,0%  a 7,5% neste ano. O próximo ponto de atenção será a discussão do novo pacote fiscal de mais de 2 trilhões de dólares, que terá foco em infraestrutura e será parcialmente financiado, entre outras coisas, pelo aumento de 7 pontos percentuais na alíquota de impostos corporativos, de 21,0% para 28,0%. O Fed continua a sinalizar que sua taxa de juros de política monetária deve permanecer em 0% por um longo período de tempo e que uma primeira sinalização de redução no ritmo de compra de ativos só deve aparecer a partir do momento em que houver uma clara recuperação do mercado de trabalho e aumento significativo da inflação, acima da meta de 2%. Em alguns países europeus, a vacinação continua relativamente lenta e a incapacidade de conter a curva de infecções no curto prazo engatilhou mais uma rodada de medidas de distanciamento. O impacto dessas medidas no desemprego e atividade em geral está levando o Banco Central Europeu (ECB) a adotar uma postura ainda mais leniente que o Fed, indicando que o nível de estímulos ainda pode aumentar, caso se faça necessário.

    Diversos desenvolvimentos políticos impactaram o mercado brasileiro neste mês: a restituição da elegibilidade do Ex-Presidente Lula, a aprovação de um orçamento inexequível, as seis trocas ministeriais empreendidas pelo Presidente, incluindo na pasta da saúde, etc. Acreditamos que o teatro político que estamos vendo desde a metade de fevereiro não reflete simplesmente a natureza complexa das instituições brasileiras, mas uma conjunção latente da piora na situação sanitária e do cenário macroeconômico. Os problemas seculares de descontrole do gasto público se somaram às sequelas do enfrentamento à pandemia.

    Em 2020, as contas públicas registraram o sétimo déficit consecutivo do país em 702,9 bilhões de reais (9,49% do PIB), enquanto o Banco Central empreendeu um corte agressivo que renovou a mínima histórica da taxa selic em 250 pontos-base, para 2%. As fortes medidas estimulativas, incluindo o gasto de 322 bilhões de reais com o auxílio emergencial, contribuíram para uma revisão significativa na projeção de queda do PIB de 2020, que caiu 4,1%, mas também contribuíram para um agravamento do problema da dívida pública, que saiu de cerca de 50% do PIB em 2010 para 90% do PIB neste ano.

    O IPCA do ano passado foi bastante impactado pela inflação de bens, que refletia o tamanho e a extensão do auxílio emergencial. Atualmente, há diversos outros fatores de preocupação. No passado, a correlação inversa entre os termos de troca e a taxa de câmbio blindou parte do impacto vindo da inflação de bens comercializáveis, cuja dinâmica de preço costuma se dar no exterior. No entanto, a depreciação consistente do câmbio tem contribuído para importarmos inflação externa, mesmo com um alto nível de ociosidade na economia. O impacto desses choques seria muito menos preocupante se a dinâmica fiscal estivesse favorável, mas provavelmente veremos o Banco Central favorecendo um ciclo de alta mais agressivo para não perder as expectativas inflacionárias de 2022.

    A dinâmica dos problemas locais já transcendeu a dimensão econômica. O alto nível de mortes e a lotação das UTI’s pressiona os governantes a adotarem políticas de distanciamento mais rígidas, levando a mais desemprego e menos atividade. Isso diminui a popularidade do governo, interrompe as reformas e cria mais gastos, como a renovação dos 44 bilhões de reais de auxílio emergencial, ou aprovação do orçamento “criativo”. Como estamos à beira do precipício fiscal, os mercados reagem mal, apertando as condições financeiras e exigindo prêmio de risco. Com isso, o dólar, que já vive uma dinâmica externa positiva por conta da subida dos juros longos americanos, se mantém em patamares mais fortes, pressionando ainda mais a inflação.

    A entrada do Ex-Presidente Lula na corrida eleitoral pode ser ilustrada pela frase frequentemente atribuída ao Ex-Ministro Pedro Malan: “No Brasil, até o passado é incerto”. E o mercado cobra prêmios pela incerteza. Acreditamos que o país enfrenta uma tempestade perfeita de desafios, porém alguns de vida útil contratada. Muitos ativos locais aparentam estar muito descontados, mas não significa que esse desconto é incoerente.

    A pandemia pode começar a mostrar melhoras dentro de alguns meses, com ênfase no segundo semestre. A velocidade de vacinação no país tem acelerado notavelmente e a antecipação das campanhas de vacinação nos países desenvolvidos acelera a disponibilidade de insumos para produção local. Com isso, diversas das variáveis que estavam pressionando a política fiscal e o cenário político podem sair de cena. Caso isso ocorra, há espaço para coordenação de reformas e de uma agenda mais positiva, o que certamente será incorporado nos preços de mercado. Por outro lado, o atraso dessa perspectiva nos aproxima cada vez mais da eleição de 2022. O timing da pandemia nunca foi tão importante.

     

     

  • Carta Mensal Taler – Dezembro 2020

    ““Prices are too high” is far from synonymous with “The next move will be downward.” Things can be overpriced and stay that way for a long time … or become far more so.”

    Howard Marks

    O mês de novembro foi marcado por um ambiente benigno para ativos de risco nos mercados globais decorrente da diminuição das incertezas com relação à eleição nos Estados Unidos e da perspectiva de uma recuperação mais ampla da economia graças a notícias favoráveis das vacinas. No Brasil, a agenda política pouco andou em decorrência das eleições municipais, mas bom humor global contaminou os mercados com uma entrada de R$ 33 bilhões do investidor estrangeiro na bolsa local, que teve seu melhor mês desde 2016, subindo 15,90%.

    Um dos vetores de otimismo global no mês veio das eleições americanas. O candidato democrata Joe Biden foi eleito o 46º presidente dos Estados Unidos e o medo de judicialização das eleições desapareceu. Com isso, houve uma melhora na perspectiva de um novo pacote de estímulos para a economia americana e das expectativas com relação à política externa em torno de um governo mais favorável à globalização e comércio internacional. A perspectiva de um maior volume de comércio entre os países e maior crescimento Chinês pode ter favorecido um movimento de entrada em países como o Brasil, onde a bolsa estava mais descontada em relação aos seus pares. Acreditamos que ainda é cedo para bater o martelo sobre como será a política externa americana nos próximos anos, mas a abundância de liquidez nos mercados internacionais faz com que o mercado compre no rumor e venda na notícia.

    Com relação à Covid-19, tivemos múltiplos desenvolvimentos positivos de tratamentos e vacinas. No dia 09 de novembro, a vacina de RNA mensageiro (mRNA) da Pfizer/BioNTech apresentou dados preliminares indicando que a vacina obteve uma efetividade estimada em 90%. Duas semanas depois, outra vacina de mRNA da Moderna também apresentou dados preliminares positivos e tivemos a aprovação emergencial da FDA para o coquetel de tratamento da Regeneron (REGN-COV2). A perspectiva mais material da resolução da crise da Covid-19 incitou um movimento de rotação no mercado acionário, que saiu de ações de “crescimento” para ações de “valor”, algo que também foi benéfico para as blue chips brasileiras.

    No cenário local, a agenda política ficou parada enquanto as eleições municipais marcaram uma vitória para os partidos de centro, que abocanharam a maior parte dos orçamentos municipais. No curto prazo, o otimismo global tomou conta do mercado de ações, enquanto a curva de juros continuou a sofrer com o aumento da inflação de curto prazo. As preocupações com relação ao fiscal se mantém e a resolução deste problema deve exigir uma ampla agenda de reformas para o ano que vem.

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