Órfãos dos juros altos, seus investimentos estão rendendo mais do que a SUA inflação?

A queda da Selic não trouxe só dúvidas sobre onde aplicar o dinheiro, mas qual índice usar como referência para seus investimentos. O CDI, que serviu um nobre papel como principal termômetro das carteiras por anos, agora morreu — ou pelo menos deveria ter morrido como índice de referênciaCom a Selic em 4,25% ao ano, colocar a régua de rentabilidade mínima que seus investimentos devem oferecer nos 100% do CDI ficou perigoso.

E principalmente por causa da inflação. Quando a taxa Selic estava em 14%, uma inflação de 4% fazia cócegas. Hoje, já tem aplicação dando retorno real (descontando a inflação) negativo, como a poupança e alguns fundos de renda fixa que cobram altas taxas de administração (acima de 0,5% ao ano).

Qual referência, então, deve ser usada na hora de calcularmos quanto devemos ganhar para 1) manter nosso padrão de vida e 2) ter rendimentos para acumular patrimônio?

A resposta é que agora, mais do que nunca, o investidor deve ter na cabeça quanto cada aplicação rende em termos reais — acima da inflação. E embora normalmente as pessoas logo pensem no IPCA quando tratam de inflação, é importante ter em conta que a sua cesta de consumo pode ser diferente da média usada pelo IBGE para calcular o índice oficial de preços.

Para saber como os endinheirados lidam com isso (e quem sabe aprender alguma lição), fomos ouvir três gestores de fortunas justamente para responder esse tipo de questão e montar um portfólio de investimento que faça seu dinheiro render por mais tempo.

A conclusão dos especialistas é uma só: a remuneração pelo IPCA é o mínimo que seus clientes precisam ganhar para manter minimamente um padrão de vida e não comer suas fortunas. O segundo passo é rever – e cortar – gastos para que a inflação pessoal deles não extrapole demais seu rendimento.

Por fim, aplicar em ativos mais rentáveis (e mais arriscados) é quase um consenso, desde que, claro, o perfil dos clientes não seja muito conservador. E eles dão alguns toques valiosos para montar a carteira e escolher investimento.

Mas, antes de entrar em detalhes, vamos entender por que é importante largar mão do CDI e observar a inflação.

Os pingos nos ‘is’ das inflações

Mesmo mais de 25 anos depois do Plano Real, a indexação ainda está presente em muitas coisas no nosso dia a dia. O combustível tem relação com o dólar, o aluguel é reajustado pelo IGP-M, o prato feito leva em consideração o preço da carne no mercado e o pão de queijo, o quanto a padaria vizinha está cobrando.

Esses são alguns exemplos de como os preços são reajustados. Alguns, por contrato, são atrelados a um índice; outros, pelo preço aproximado do aumento dos insumos na indústria e no campo; mas têm os que são pelo “olhômetro”, a percepção de quanto deveria valer o produto ou serviço pelo que os concorrentes estão cobrando.

“Quando o restaurante aumenta o preço do cafezinho, não passa de R$ 3,50 para R$ 3,60, mas vai direto para R$ 4. O quilo do buffet já passa de R$ 30 para R$ 33, um aumento de 10%. Dependendo do que consumimos, a nossa cesta de inflação continua sendo maior que o IPCA”, explica Eduardo Akira, sócio da Vero Investimento, escritório de assessoria financeira ligado à XP e com foco em alta renda.

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