Cenário macroeconômico: expectativas e percepções

Entenda como os acontecimentos locais e internacionais impactam seus investimentos

Com um cenário econômico ainda instável, por conta da crise de COVID-19, entender quais são as perspectivas para os próximos meses passa a ser fundamental para uma melhor alocação dos investimentos.

Na live promovida pela Taler Gestão de Patrimônio, nosso Gestor de Portfólios, Renato Iversson, entrevistou Ivo Chermont, Economista-Chefe da Quantitas, para saber mais sobre o cenário atual e as expectativas econômicas a nível nacional e internacional.

 

Cenário americano atual

Com mais de 50% da população completamente vacinada, os Estados Unidos já começam a experenciar o fim da pandemia e o início da normalização da atividade econômica.

No entanto, após o forte estímulo financeiro às famílias e empresas durante a crise, alguns problemas, como a escassez de matérias-primas para a indústria e a falta de mão de obra, começaram a surgir, favorecendo o crescimento da inflação no país.

Ivo Chermont explica que, com base nas fontes de pressão do mercado de trabalho, das cadeias produtivas da Ásia e do setor imobiliário, a probabilidade de essa inflação ter caráter permanente é maior do que a probabilidade de ela ser transitória.

“No mercado de trabalho, começamos a ver nos dados que muita gente vem antecipando os pedidos de aposentadoria depois da pandemia, então esse pessoal provavelmente não vai voltar para a força de trabalho. Em relação à cadeia de suprimentos que derivam, principalmente da Ásia, podemos argumentar que esses fatores são temporários, porque em algum momento a oferta vai aumentar de novo. Mas, uma coisa é ter um fator temporário que demora 3 ou 4 meses, e outra coisa é ter um fator temporário que demora 1 ou 2 anos. E, por último, sobre real estate, o que a gente viu foi um estímulo absurdo para a compra de casas nesses últimos 2 anos, até que o aumento da demanda levou ao aumento do preço, o que significa que muita gente não pode mais comprar casas, só alugar. Com isso, nos últimos 3 meses, começamos a ver a inflação de aluguéis influenciar os índices de inflação americana, e isso certamente tem um caráter mais permanente”.

 

Expectativas para 2022

Para Ivo, as circunstâncias já fazem o Fed (Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos) começar a mudar seu discurso inicial de que o cenário era tranquilo e a inflação temporária.

“Hoje, com essa situação, o mercado todo já espera que em setembro o Fed anuncie os parâmetros de ‘tapering’ para, entre novembro e dezembro, começarem efetivamente o processo de retirada dos estímulos”, conta.

Em relação ao aumento de juros, o economista-chefe reforça que o processo será o mesmo e deverá começar após o ‘tapering’, no final de 2022.

 

Qual o impacto do cenário americano na atividade global?

Geralmente, quando a taxa de juros sofre aumento em países desenvolvidos, o mercado financeiro mundial enfrenta um fenômeno chamado de “flight-to-quality”, no qual os investidores migram de países emergentes, como o Brasil, para países com menos riscos, como os Estados Unidos.

Nesse cenário, Ivo alerta que tudo vai depender da habilidade de comunicação da política monetária. “O lucro das empresas tem uma relação direta com a atividade econômica, então se o Fed começar a tirar esses estímulos, porque a atividade está muito forte, eu não posso ficar ultra pessimista com os ativos e a bolsa. Eu acho que essa retirada gradual depende da comunicação. Se for bem comunicado e com cautela, eu não espero nenhum tipo de catástrofe, como em 2013”.

 

E o Brasil?

Uma das dúvidas mais frequentes, quando o assunto é cenário econômico, é sobre qual seria a etapa atual do ciclo no Brasil. Afinal, será que estamos no pico de crescimento ou ainda há mais potencial?

De acordo com as projeções da Quantitas, espera-se um crescimento de 5,5% ou 5,7% ainda neste ano, o que significa que, se a taxa de juros se mantiver em um nível estimulante, deva haver um pouco mais de crescimento econômico.

“Eu acho que a gente ainda está no momento de expansão, mas estamos chegando perto do pico. Talvez no começo ou meio do ano que vem a gente comece a enfrentar uma queda”, explica Ivo.

Para saber mais sobre a influência política neste cenário, confira o vídeo completo da live “Cenário Macroeconômico” e se inscreva em nosso canal no Youtube para acompanhar todos os conteúdos.

 

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