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  • O Planejamento Financeiro em um Mundo Digital

    Chegamos a 2020 cheios de otimismo e convicções. Teríamos mais um ano de prosperidade e estabilidade econômica, melhora nas contas públicas, contínua redução das taxas de juros e a esperança de reformas estruturantes. Cenário tão esperado pelos brasileiros por tantos anos.

    E aí surge a COVID-19. Nossa esperança se transformou em dúvida, limitando nosso convívio social, nossas atividades diárias, nossa rotina. A expectativa de uma evolução contínua no nosso cenário econômico, se transformou em certeza de que viveremos um futuro próximo de muitas mudanças, dificuldades e adaptações.

    Podemos sempre olhar o copo meio vazio ou meio cheio, como diz o ditado. Nossa recomendação é sempre olhar o copo meio cheio.

    O confinamento nos permitiu um olhar mais para dentro. Para dentro de nossas famílias, das nossas reais necessidades e valores. A simples ideia de finitude nos leva a reflexão e a caminhos antes não explorados.

    A mudança de hábitos, costumes e forma de trabalhar, veio para ficar. Talvez a mudança que aconteceria em 10 anos tenha sido impulsionada de forma dramática.

    Nosso mundo ficou ainda mais digital, bem como nossas relações. Ficamos mais produtivos, focados, apesar do convívio familiar. As paredes corporativas pareciam nos limitar. Hoje podemos acessar nossos clientes de diversas formas, por meios digitais. E o melhor, eles aceitam isso. Nossos conteúdos educacionais se tornaram disponíveis e acessíveis aos mais diversos públicos.

    O mundo digital para o Planejamento Financeiro é mais democrático. É como a praia, todos podem frequentar. Nosso desafio está em desbravá-lo, em adaptar a nossa prática, em prestar o melhor serviço, mesmo à distância. O momento foi oportuno. O desenvolvimento tecnológico nos permite enfrentar esta situação com muitas ferramentas e recursos, que estão disponíveis a todos. Seja para um encontro social, seja para um evento com centenas de participantes.

    Nossa missão ficou ainda maior. Nossa sociedade precisará cada vez mais de nossos conselhos, de nossa orientação, de nosso direcionamento, voltado ao melhor interesse das pessoas e suas famílias. A transição para este novo mundo demandará de todos uma grande adaptação, seja na forma de trabalho, seja nos orçamentos familiares, na forma de investir e se preparar para o futuro. A nosso ver, cheio de oportunidades.

    Bem-vindo a uma nova realidade. Um mundo onde nosso conhecimento pode contribuir ainda mais para esta nova sociedade que renasce.

    Paulo Colaferro, CFP®
    Vice-presidente da Planejar

    Texto originalmente publicado no Relatório Anual Planejar.

  • Coronavírus: Maré alta ou Maré baixa?

    “Ninguém entra no mesmo rio uma segunda vez, pois quando isto acontece já não se é mais o mesmo. Assim como as águas que já serão outras.“

    Heráclito

    Nesta carta mensal vamos tentar trazer informações relevantes e focadas quase exclusivamente aos desenvolvimentos da pandemia causada pelo Sars-CoV-2. Apesar do gigantesco esforço científico global, ainda existe muito desconhecimento em relação a evolução da doença e seus impactos econômicos, que tendem a ser cada vez mais dispersos entre países ou mesmo  sub-regiões. O mês de junho marcou a continuidade da reabertura iniciada em meados de maio nas principais economias do mundo.

    A contaminação por Covid-19 continuou a se expandir de forma relativamente rápida, com crescimento de 70% no número de casos totais versus 91% no mês anterior. Esse processo se deu pela expansão da doença na América Latina (principalmente Brasil), pela Ásia via Índia e Rússia e por um segundo surto relevante que se iniciou em algumas regiões (distintas dos primeiros focos) nos Estados Unidos.

    Embora o crescimento do número de novas mortes tenha ultrapassado o do mês anterior (60% contra 27%), a contaminação está se expandindo com uma velocidade menos do que proporcional ao crescimento do número de novos casos há mais de 2 meses. Essa defasagem é maior do que o ciclo médio da doença, que pode durar cerca de 30 dias até que um caso identificado venha a óbito; especialmente se considerarmos que a subnotificação do número de novos casos tende a ser maior do que a de novas mortes. Existem algumas hipóteses para este diferencial. A primeira é uma significativa imunização que tomou conta das regiões mais afetadas, visto que os países europeus não experienciaram uma retomada tão forte da doença e que o segundo surto nos Estados Unidos vem de estados que não foram o foco inical. Outra possibilidade é uma curva de aprendizado ascendente dos protocolos médicos e hospitalares, conjuntamente com uma expansão induzida na capacidade dos sistemas de saúde, principalmente dos países mais ricos, o que diminui a probabilidade de que um paciente com sintomas graves venha a óbito.

    No Brasil, o número de novos óbitos parece ter chegado a um platô técnico durante o mês de junho. No entanto, por trás do dado agregado, a composição entre estados e regiões sofreu alterações significativas. As regiões que foram contaminadas de forma mais precoce, como estados ao Sudeste, Norte e Nordeste, apresentaram arrefecimento na taxa de crescimento das mortes, com queda na ocupação de UTI’s por parte de São Paulo e Rio de Janeiro (entre outros). Por outro lado, as regiões ao Sul e Centro-Oeste começaram a experienciar uma onda defasada de contaminação que ainda segue forte.

    Uma variável epidemiológica importante para imaginar a tragetória da doença é o Rt, que representa a taxa de reprodução. Estimando-a, é possivel se ter uma ideia de quantas pessoas, em média, são contaminadas por um portador da doença. Quando esse número fica abaixo de 1, é indício de que a contaminação por Covid-19 está retrocedendo, porque um portador da doença está contaminando, em média, menos de uma pessoa. No Brasil, os estados do Sudeste, Norte e Norteste estão rodando com Rt’s menores do que o Sul e Centro-Oeste, muito próximos ou abaixo de 1, evidência de que a contaminação mudou de foco.

    Os Estados Unidos iniciaram o processo de reabertura de forma desigual enquanto as taxas de contaminação ainda estavam relativamente altas, conforme alertamos na carta do mês anterior. A doença se espalhou para os estados ao Sul e Sudoeste do país, em geral os que iniciaram a reabertura precocemente, com ênfase no Texas, Arizona e Califórnia. No dia 28 de maio, um paper do Imperial College (UK) apontou que a probabilidade da taxa de contaminação estar abaixo de 1 nos estados ao Sul e Sudoeste era menor do que nos outros estados, como Nova Iorque (foco da 1ª onda), cuja probabilidade estaria entre 40% a 60%. Na Europa, alguns fatores sugerem que a segunda onda está sendo mais localizada. A região foi atacada inicialmente de forma mais agressiva, o que pode ter causado um efeito importante de imunização, inclusive por causa da extensão geográfica dos países. Alguns surtos localizados ocorreram no mês, mas de forma menos agressiva.

    Os esforços sem precedentes da comunidade científica internacional para encontrar uma vacina ou tratamento da doença seguem a todo vapor. No campo dos tratamentos, a Food and Drug Administration (FDA) americana revogou o protocolo emergencial da Hidroxicloroquina. Dias depois, a OMS também seguiu a decisão e abandonou a testagem da droga no seu programa “Solidarity Trial”, que envolve estudos randomizados (RCT). O estudo “Recovery”, conduzido pela Universidade de Oxford (Reino Unido) publicou resultados preliminares de seu teste randomizado que apontou evidência de efetividade para o corticoide Dexametasona no tratamento de pacientes com condições respiratórias graves associadas ao coronavírus. Após 28 dias, o estudo mostrou queda em 33% na mortalidade dos pacientes em ventilação mecânica e em 20% para pacientes que necessitam de oxigênio.

    Existem mais de cento e vinte e cinco vacinas sendo desenvolvidas na fase pré-clínica; que ainda não envolve testes em humanos. Quinze vacinas estão em fase um, onde são administradas em um grupo menor de pessoas para atestar sua segurança, dosagem e capacidade inicial de resposta do sistema imune. Dez vacinas estão em fase dois; que envolve testes em milhares de pessoas de diferentes grupos etários e atesta novamente sua segurança e reposta imune. Quatro vacinas já estão em fase três, onde a dosagem é administrada em larga escala em um grupo, enquanto o outro recebe placebo. Métodos diversificados, desde vacinas genéticas (e.g. Moderna – fase dois), de vetor viral ( e.g. AstraZeneca – fase três) e baseadas em proteínas (e.g. Novamax – fase dois) já estão em fases avançadas. Todos os desenvolvimentos do mês indicam que os esforços na área médica, assim como os esforços fiscais e monetários dos países, são totalmente fora da curva.

    A incerteza com relação à pandemia e seus efeitos econômicos de médio e longo prazo está longe de ser insignificante. Ainda não é claro se a maré será alta ou baixa nos meses à frente. O certo é que nós estamos entrando em águas diferentes, com incertezas positivas e negativas guardadas por todos os lados. Temos alguns pontos de maior confiança embasados em nossa visão e alguns estudos científicos/opinião da OMS: dificilmente teremos vacina ou remédio a ser utilizado em massa globalmente, há evidências de efeito de imunidade de rebanho em algumas regiões ou cidades (especialmente Rio de Janeiro capital e algumas cidades do Amazonas), o uso de máscara ou alcool gel/higienização das mãos é a mais importante maneira de prevenção e há evidências claras que os países que utilizaram uma estratégia integrada de prevenção com esforços conjuntos de governos federais, estaduais e municipais foram mais bem sucedidos que outros cuja falta de coordenação foi mais flagrante.

    Seguimos acompanhando os desenvolvimentos da crise diariamente, sem nos deixar levar pelo senso comum nem persistir em convicções ultrapassadas, para proteger o patrimônio de nossos clientes e aproveitar novas oportunidades. Parece que o pior já passou em alguns continentes (claramente Ásia e Europa) e que outros estão mais atrasados (América do Sul em alguns países, incluindo o Brasil), EUA e Índia. Parece que temos uma recuperação em forma de “V”, mas o patamar de estabilização ainda é incerto. As incertezas são altas e o “V” pode se tornar um “W”ou “K”, onde empresas grandes se salvam e muitas pequenas e médias sucumbem; e até o “swoosh”, que é o simbolo da Nike, na qual a recuperação é lenta e gradual.

     

     

     

    Referências Bibliográficas

    S. Flaxman, S Mishra, A Gandi et al. Estimating the effects of non-pharmaceutical interventions on COVID-19 in Europe. Nature; 08-06-2020, published online.

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    https://pubmed.gov/32634828. Full-text: https://doi.org/10.1093/cid/ciaa923

    Weinberger DM, Chen J, Cohen T, et al. Estimation of Excess Deaths Associated With the COVID-19 Pandemic in the United States, March to May 2020. JAMA Intern Med July 1, 2020. Full-text: https://jamanetwork.com/journals/jamainternalmedicine/fullarticle/2767980

    O’Callaghan KP, Blatz AM, Offit PA. Developing a SARS-CoV-2 Vaccine at Warp Speed. JAMA, July 6, 2020. Full-text: https://doi.org/10.1001/jama.2020.12190

    Adam D. A guide to R — the pandemic’s misunderstood metric. Nature News. 03 July 2020. Full-text: https://www.nature.com/articles/d41586-020-02009

    Deng W, Bao L, Liu J, et al. Primary exposure to SARS-CoV-2 protects against reinfection in rhesus macaques. Science  02 Jul 2020. Full-text: https://doi.org/10.1126/science.abc5343

    Hong LX, Lin A, He ZB, et al. Mask wearing in pre-symptomatic patients prevents SARS-CoV-2 transmission: An epidemiological analysis. Travel Med Infect Dis. 2020 Jun 24;36:101803. PubMed: https://pubmed.gov/32592903. Full-text: https://doi.org/10.1016/j.tmaid.2020.101803

    Schmidt M, Hoehl S, Berger A, et al. Novel multiple swab method enables high efficiency in SARS-CoV-2 screenings without loss of sensitivity for screening of a complete population. Transfusion. 2020 Jul 6. PubMed: https://pubmed.gov/32627200. Full-text: https://doi.org/10.1111/trf.15973

    Magleby R, Westblade LF, Trzebucki A, et al. Impact of SARS-CoV-2 Viral Load on Risk of Intubation and Mortality Among Hospitalized Patients with Coronavirus Disease 2019. Clin Infect Dis. 2020 Jun 30:ciaa851. PubMed: https://pubmed.gov/32603425. Full-text:

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    https://oglobo.globo.com/opiniao/e-quase-espera-de-um-milagre-24520601

    https://www.nytimes.com/interactive/2020/science/coronavirus-vaccine-tracker.html

     

  • Holdings e Fundos Fechados: Soluções ou Problemas?

    Rodrigo Sgavioli conversou com Marcia Setti e José Henrique Longo, da PLKC Advogados. O tema foi a organização de patrimônios para o planejamento sucessório. Afinal, Holdings são sempre boas soluções ou será que em alguns casos podem se tornar um problema de difícil solução? E os fundos de investimento? Acompanhe os detalhes desse encontro no vídeo:

  • Crianças e Adolescentes na Era das Incertezas

    Mari Emmanouilides, sócia fundadora e CEO da Taler, recebeu a Dra. Cecilia Gross, psiquiatra e pisicoterapeuta infantil e de adolescentes, para conversar sobre as crianças e adolescentes na era das incertezas. Veja a conversa na íntegra:

  • Perspectivas para a Construção Civil

    Para conversarmos sobre as perspectivas para a construção civil, recebemos três convidados em um evento digital: Juliano Ohta CEO da Telhanorte-Tumelero; Daniel Geiger Campos, presidente da AkzoNobel para America do Sul; e Otto von Sothen, CEO do Grupo Tigre.

    A conversa foi mediada pelo nosso sócio-gestor, Otáveio Vieira, e transmitida no nosso canal do YouTube, confira a gravação:

     

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