““Prices are too high” is far from synonymous with “The next move will be downward.” Things can be overpriced and stay that way for a long time … or become far more so.”

Howard Marks

O mês de novembro foi marcado por um ambiente benigno para ativos de risco nos mercados globais decorrente da diminuição das incertezas com relação à eleição nos Estados Unidos e da perspectiva de uma recuperação mais ampla da economia graças a notícias favoráveis das vacinas. No Brasil, a agenda política pouco andou em decorrência das eleições municipais, mas bom humor global contaminou os mercados com uma entrada de R$ 33 bilhões do investidor estrangeiro na bolsa local, que teve seu melhor mês desde 2016, subindo 15,90%.

Um dos vetores de otimismo global no mês veio das eleições americanas. O candidato democrata Joe Biden foi eleito o 46º presidente dos Estados Unidos e o medo de judicialização das eleições desapareceu. Com isso, houve uma melhora na perspectiva de um novo pacote de estímulos para a economia americana e das expectativas com relação à política externa em torno de um governo mais favorável à globalização e comércio internacional. A perspectiva de um maior volume de comércio entre os países e maior crescimento Chinês pode ter favorecido um movimento de entrada em países como o Brasil, onde a bolsa estava mais descontada em relação aos seus pares. Acreditamos que ainda é cedo para bater o martelo sobre como será a política externa americana nos próximos anos, mas a abundância de liquidez nos mercados internacionais faz com que o mercado compre no rumor e venda na notícia.

Com relação à Covid-19, tivemos múltiplos desenvolvimentos positivos de tratamentos e vacinas. No dia 09 de novembro, a vacina de RNA mensageiro (mRNA) da Pfizer/BioNTech apresentou dados preliminares indicando que a vacina obteve uma efetividade estimada em 90%. Duas semanas depois, outra vacina de mRNA da Moderna também apresentou dados preliminares positivos e tivemos a aprovação emergencial da FDA para o coquetel de tratamento da Regeneron (REGN-COV2). A perspectiva mais material da resolução da crise da Covid-19 incitou um movimento de rotação no mercado acionário, que saiu de ações de “crescimento” para ações de “valor”, algo que também foi benéfico para as blue chips brasileiras.

No cenário local, a agenda política ficou parada enquanto as eleições municipais marcaram uma vitória para os partidos de centro, que abocanharam a maior parte dos orçamentos municipais. No curto prazo, o otimismo global tomou conta do mercado de ações, enquanto a curva de juros continuou a sofrer com o aumento da inflação de curto prazo. As preocupações com relação ao fiscal se mantém e a resolução deste problema deve exigir uma ampla agenda de reformas para o ano que vem.

z
Fechar