Carta Mensal – Julho 2021

“The four most dangerous words in investing are: ‘this time it’s different.’”

John Templeton

 

O mês de Junho marcou mais uma janela de performance positiva para os ativos brasileiros. O Ibovespa teve sua quarta alta mensal consecutiva e o Real continuou a desempenhar uma das melhores performances entre os seus pares, valorizando-se 4.51% contra o dólar. Globalmente, o padrão de comportamento dos ativos foi afetado na segunda metade do mês com a reunião do FOMC, que antecipou uma discussão sobre retiradas de estímulos nos Estados Unidos, favorecendo um achatamento da curva de juros americana e fortalecimento do dólar contra moedas desenvolvidas.

No mercado internacional, após os estímulos sem precedentes e o avanço das campanhas de vacinação, os dados de atividade econômica e de inflação seguem acima do esperado. A reunião do FOMC no dia 17 movimentou os ativos globais, com mais participantes do comitê precificando altas de juros num horizonte menor. Com isso, duas altas de 0.25% são esperadas para 2023, enquanto sete dos dezoito participantes do comitê passaram a esperar o início do ciclo de alta já em 2022, contra três na reunião anterior. As altas de juros deverão ser posteriores à diminuição do ritmo de compra de ativos e a sua antecipação também trouxe a discussão de redução no ritmo de compra de ativos atual, de US$ 120 bilhões por mês, o que implica menos injeção de liquidez nos mercados. Essa modificação de comunicação do principal banco central no mundo é relevante para o curso da política monetária globalmente e diversos países que ainda estão atrasados no ciclo de alta devem começar a se movimentar nesse sentido, uma vez que a recuperação econômica é cada vez mais concreta e a inflação mundial segue aumentando.

No Brasil, o cenário para atividade também segue benigno. A tendência das hospitalizações e mortes por covid segue caindo e o processo de vacinação ganhou bastante tração, indicando que provavelmente vamos ter um segundo semestre de reabertura mais consistente. Além disso, diversos fatores deverão amparar a atividade, como os estímulos fiscais que seguem em curso, o alto nível de poupança acumulada, os juros reais estimulativos e termos de troca próximos das máximas. Esse cenário favorece um crescimento do PIB acima de 5% em 2021. A inflação segue pressionada pelos preços administrados, mas diversos fatores dentro dos preços livres mostram aceleração e os núcleos seguem acelerando. O índice de difusão, que corresponde ao percentual de componentes cujos preços estão aumentando, segue acima de 60% desde outubro de 2020. Com isso, o Banco Central deve continuar o processo de subida da taxa Selic até pelo menos 6.5% neste ano. Há fatores de risco adicionais, como o baixo nível de chuvas que impacta as tarifas de energia, a persistência dos choques de oferta que podem impactar preços de bens, e o controle das expectativas para 2022. Com mais inflação e crescimento, os números de arrecadação seguem surpreendendo, melhorando o déficit primário, e a razão dívida/PIB do país segue em queda,  saindo de 89.3% em dezembro de 2020 para 84.5% em maio de 2021.


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