“When I hear complaints about less liquidity, I remember there is such a thing as too much liquidity.”

Paul A. Volcker

O mês de janeiro foi positivo para o mercado brasileiro e os mercados emergentes em geral. Após quase dois anos de estímulos econômicos sem precedentes, os principais mercados desenvolvidos estão passando pelo início do processo de ajuste de política. Em um mês de forte queda nos países desenvolvidos, o Real e a bolsa local tiveram performance destaque com uma alta de 13% da bolsa em dólar. Neste mês, o fluxo dos investidores estrangeiros foi mais um recorde, registrando uma entrada líquida acima de R$30 bilhões, o que beneficiou Large Caps brasileiras, como bancos e commodities.

No cenário internacional, a contaminação pela variante Ômicron foi bastante disseminada. Diversos países, mesmo com uma contaminação rápida e elevada, estão relaxando as restrições e passando a tratar a Covid como um problema menor e mais localizado. Por conta da letalidade mais baixa e da imunização natural causada por esta cepa, a pandemia segue impactando cada vez menos os mercados financeiros. A inflação mais alta e disseminada segue preocupando as autoridades monetárias mundialmente. Nos EUA, o Fed adotou um tom mais severo em relação à inflação, indicando que o mercado de trabalho está próximo do pleno emprego e que os setores mais afetados pela pandemia melhoraram muito nos últimos meses. A comunicação mais dura indica que a probabilidade de um ajuste monetário mais rápido e intenso está mais alta. Na Ásia, a economia chinesa segue fragilizada pela desaceleração do setor imobiliário, mas as autoridades estão respondendo com medidas de amparo ao setor e estímulos monetários, que devem impactar a atividade a médio prazo.

No Brasil, o mês foi tranquilo para os mercados com o recesso parlamentar. A política fiscal segue sob questionamento, com o governo focando cada vez mais em temas eleitoreiros, como a desoneração dos combustíveis e reajustes para o funcionalismo. Do outro lado, a inflação segue pressionada e preocupando o Banco Central. O IPCA-15 de janeiro veio acima do esperado, acumulando 10.42% em doze meses. A composição do índice de preços ao consumidor continua negativa tanto para os componentes mais voláteis como para o núcleo. Os preços de bens industriais ainda estão pressionados e a inflação de serviços segue acelerando.  Neste mês, o COPOM subiu a taxa Selic meta em mais 1.5%, para 10.75%. Com a inflação esperada rodando acima do teto da meta, uma política fiscal desnecessariamente frouxa pode implicar uma política monetária excessivamente restritiva e por mais tempo do que necessário. Ainda assim, os ativos brasileiros já embutem um prêmio de risco tão elevado que, de certa forma, esse risco fiscal já está bem precificado. O massivo fluxo de entrada dos portfólios estrangeiros neste mês não surpreende, haja vista os valuations historicamente baratos combinados com a moeda nacional excessivamente desvalorizada.  Seguimos atentos ao potencial impacto que a reprecificação de juros nos Estados Unidos e outros desenvolvidos pode causar na dinâmica de portfólio dos ativos globais, seu reflexo na disponibilidade de liquidez internacional e, em especial, no preço das commodities.

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