Mês: <span>março 2022</span>

  • Carta Mensal – Março 2022

    Literalmente Apagando o Fogo com a Gasolina

    “Only the dead have seen the end of war.”

     George Santayana, 1922

    Em fevereiro, a aversão a risco tomou conta do mercado com o início da guerra na Ucrânia. As bolsas internacionais caíram, assim como as taxas de juros longas dos países desenvolvidos, e o dólar se fortaleceu frente às principais divisas do mundo. Por conta da alta relevância da economia da Rússia e da Ucrânia na produção de commodities energéticas e agrícolas, a guerra teve como reflexo uma forte alta no preço desses ativos, criando mais um vetor de preocupação para a situação inflacionária mundial.

    O impacto imediato das invasões russas já afeta os mercados em duas principais frentes: preços das commodities e o risco geopolítico. A Rússia exerce um papel fundamental no comércio primário mundial, sendo responsável por cerca de 11% da produção de petróleo global e, juntamente com a Ucrânia, 30% da produção de trigo. Além disso, 40% das importações de gás União Europeia são provenientes da Rússia, o que torna o mercado europeu mais vulnerável aos desdobramentos da guerra. Apesar do conflito militar estar restrito a dois países, o ocidente trava uma guerra econômica contra Rússia e seus aliados imediatos, o que deve causar sequelas econômicas e geopolíticas duradouras.

    As sanções econômicas que a Rússia enfrenta incluem a remoção de parte do seu sistema bancário do SWIFT (Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunications), implementação de barreiras comerciais e congelamento de bens e de ativos financeiros. Além de tudo, a massiva fuga de capitais e de empresas é um choque extraordinariamente negativo para a economia russa, que já viu sua moeda perder mais de 60% do seu valor frente ao dólar no ano e a taxa de juros subir de 9.5% para 20%. Embora acreditemos que o conflito, da forma como está caracterizado hoje, represente um risco mais atenuado para a perspectiva de crescimento mundial no curto prazo, ele certamente tem reflexos inflacionários desfavoráveis, o que deve influenciar os bancos centrais dos países desenvolvidos frente ao eminente e necessário aperto monetário destas regiões. O que devemos esperar são ciclos mais longos e intensos de altas de juros.

    No Brasil, o período de carnaval fez com que o fechamento dos ativos fosse menos impactado pela eclosão da guerra. Mesmo assim, fica claro que o reflexo no mercado local é distinto dos países desenvolvidos. A escalada dos preços das commodities deve afetar positivamente nossos termos de troca e o desinvestimento de ativos russos nos portfólios mundiais favorece a alocação em Brasil. O fluxo cambial acumulado no ano alcançou 7.8 bilhões de dólares, com forte entrada na conta financeira do balanço de pagamentos deste mês. Por outro lado, o aumento do preço do petróleo impactará negativamente o bolso do consumidor, assim como as restrições à Rússia são capazes de impactar o custo da produção agrícola, dada a dependência brasileira de fertilizantes russos.

    Essas pressões inflacionárias movimentaram discussões no Congresso para atenuar o efeito da alta de preços para o consumidor final. Neste ponto, o presidente da República, Jair Bolsonaro, editou um decreto que reduz o IPI em 25% para quase todos os produtos industrializados, no qual o governo já renunciaria uma receita tributária de R$ 20 bilhões por ano. Discussões sobre medidas para conter a alta nos preços de combustíveis já começaram a aparecer no Planalto e é difícil imaginar que não avancem para mais renúncia fiscal, principalmente em um ano eleitoral. É importante ressaltar que, no cenário inflacionário atual, uma política fiscal excessivamente frouxa demandará uma política monetária excessivamente restritiva, com uma Selic mais alta e por mais tempo. Seguimos acompanhando todos os desdobramentos do conflito geopolítico no Leste Europeu e a nova dinâmica de aperto monetário no mundo, avaliando seus impactos nos mercados globais e doméstico, bem como as direções tomadas no Brasil em reposta à crise, que podem impactar variáveis macroeconômicas relevantes e a trajetória da dívida pública.

  • Mulheres do Mercado

    Nossa CEO, Mari Emmanouilides, é um dos destaques do primeiro episódio da série “Mulheres no Mercado”, produzido pela empresa de informações financeiras City Wire.

    No programa que vai ao ar hoje (07), Mari, juntamente com Leticia Arditti (XP Inc) e Sigrid Guimarães (Alocc), compartilham suas experiências no mercado financeiro e debatem sobre uma realidade mais igualitária no ambiente profissional.

    Acesse citywire.com.br para assistir.

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