Mês: <span>maio 2021</span>

  • Como o Open Banking vai mudar o mercado financeiro?

    Entenda como vai funcionar o sistema do Banco Central que já começou a ser implementado por fases; e quais os benefícios para os clientes de instituições financeiras

    O open banking já começou no Brasil. Previsto para ser implementado por fases, o novo sistema do Banco Central é considerado por especialistas como um dos mais completos do mundo, e vai mudar a forma como clientes e instituições financeiras se relacionam.

    O assunto foi tema de live realizada pela Taler Gestão de Patrimônio. O Head de Planejamento Patrimonial da gestora, Rodrigo Sgavioli, recebeu como convidados Ivo Mósca, Coordenador da Subcomissão de Pagamentos Instantâneos da FEBRABAN, e João Bragança, Senior Project Manager da Roland Berger Brasil. O vídeo completo está disponível no nosso canal no Youtube.

     

    O que é o open banking?

    Na prática, o open banking vai permitir o compartilhamento de dados bancários dos clientes entre diferentes instituições financeiras. Quem decide se as informações poderão ser compartilhadas ou não é o cliente, que passa a ser dono dos seus próprios dados.

    A “língua” falada entre as instituições terá que ser a mesma, o que funcionará por meio de uma tecnologia totalmente padronizada com o uso de APIs (application programming interface, em inglês). “As APIs permitem que dois sistemas se conectem, se comuniquem e compartilhem dados”, explica João Bragança.

    Outra mudança do open banking será a facilidade nas transações financeiras. O consumidor poderá fazer pagamentos em um banco por meio de conta que mantém em instituição diferente.

     

    Benefícios para os clientes

    “O open banking diminui a barreira de informações”, resume Ivo Mósca. Ele afirma que o modelo vai trazer maior competição para o mercado. O cliente é beneficiado com uma oferta ampliada de serviços e produtos financeiros. Com acesso aos dados do cliente, um banco pode oferecer um serviço de crédito melhor do que ele já tem hoje ou taxas mais baixas, por exemplo.

    As empresas que souberem lidar com as informações para ofertar melhores preços e experiência saem na frente. “Quem vai se sobressair são as instituições que conseguirem tirar desses dados os melhores insights, trabalhando de forma assertiva”, diz o coordenador da FEBRABAN.  E João Bragança ainda complementa: “o cliente fica mais empoderado e mais exigente”.

     

    É seguro?

    Segundo João Bragança, qualquer sistema baseado em dados financeiros tem risco, principalmente quando envolve tecnologia. No entanto, ele defende que não haverá um aumento do risco por conta do open banking.  Além disso, o Banco Central é o responsável pela regulação, além de fiscalizar todas as empresas participantes.  Também é importante lembrar que o consentimento do cliente é obrigatório, definindo quais dados ele quer compartilhar e por qual prazo determinado.

     

  • Economias emergentes: oportunidades de investimento

    Entenda as características e como avaliar o potencial ao investir nesses países

    O Brasil, assim como China, África do Sul, Índia, Argentina, Singapura, Rússia, entre outros países, recebem a classificação de emergentes. Afinal, o que determina se uma nação é emergente? Os economistas definem emergentes como nações onde a renda per capita fica em torno de US$ 10 mil por ano.

    Na live realizada pela Taler Gestão de Patrimônio, Thiago Vitorello, gestor de portfólio da gestora, conversou com Paulo Gala, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), sobre riscos e oportunidades para os investidores nos mercados emergentes.

    Emergente é tudo igual?
    As economias emergentes têm diferenças entre si, explica Paulo Gala. Parte delas, a exemplo do Brasil, destaca-se pelo agronegócio e tem como base da sua atividade econômica as commodities. Em outros países, a produção industrial e o desenvolvimento de tecnologia são os pontos fortes.

    Relação risco X retorno
    As instabilidades na política e na economia em países emergentes são fatores de preocupação para os investidores. “Se tem uma característica que vemos em todos os mercados emergentes é que não há um arcabouço institucional, jurídico e legal totalmente consolidado”, comenta o professor da FGV. No entanto, ele lembra que quanto maior o risco de investimento, maior também será o retorno.

    O potencial do leste asiático
    O leste asiático cresce em ritmo acelerado e desponta como umas das macrorregiões mais ricas do mundo. Paulo Gala comenta sobre o forte desenvolvimento tecnológico de países como Correia do Sul, China, Indonésia, Malásia, Taiwan e Vietnã. “Certamente é um lugar para o investidor olhar, em termos de dinâmica de crescimento”, afirma.

    Segundo o professor da FGV, os financiamentos públicos tiveram uma importante contribuição para o avanço no continente. “Os asiáticos conseguiram usar os estados para alavancar as suas empresas, com investimento em infraestrutura e programas de governo”. Na Coreia do Sul, ele cita Hyundai e Samsung como empresas que conquistaram o mundo.

    As fronteiras além do Brasil
    Paulo Gala aponta que o Brasil ainda enfrenta desafios para construir empresas de expressão mundial, avançar do ponto de industrial e tecnológico, desenvolver infraestrutura, e como consequência, se tornar menos dependente do agronegócio.

    “Se você quiser maximizar suas oportunidades de risco e retorno, você tem que olhar novos mercados”, diz. Com o objetivo de diversificação de patrimônio, vale a pena avaliar outros países, inclusive outros emergentes.

    A orientação de Paulo Gaia ao investidor é: “fazer bons investimentos depende de uma boa pesquisa. Você precisa enxergar coisas que o mercado não está enxergando”.

    Para saber mais sobre investimentos internacionais, leia a notícia ENTENDA OS MERCADOS INTERNACIONAIS: DESAFIOS E OPORTUNIDADES PARA INVESTIR.

    Confira o vídeo completo da live “Conhecendo e Investindo em Economias Emergentes” e inscreva-se no canal do Youtube da Taler para acompanhar os conteúdos.

     

  • Carta Mensal – Maio 2021

    Inflação e Não Linearidades

    “History and societies do not crawl. They make jumps. They go from fracture to fracture, with a few vibrations in between. Yet we (and historians) like to believe in the predictable, small incremental progression.”

    Nassim Taleb

    O mês de abril foi marcado por uma performance positiva dos ativos de risco em meio a um movimento de acomodação nos juros longos americanos e enfraquecimento do dólar. O Dollar Index, que mede a performance da divisa americana contra uma cesta de moedas desenvolvidas, teve queda de 2%, enquanto o Nasdaq e o S&P 500 subiram respectivamente 5.4% e 5.2%. Diferentemente dos últimos meses, a performance positiva do exterior foi acompanhada por praticamente todos os ativos brasileiros. O real valorizou 4.66% contra o dólar, o Ibovespa teve sua segunda alta mensal consecutiva e tivemos mais de 7 bilhões de reais de entrada do investidor estrangeiro na bolsa. Os índices de títulos públicos pré-fixados e atrelados à inflação também tiveram sua primeira alta mensal no ano.

    No mercado local, as curvas de contaminação por coronavírus ainda estão em patamares altos, mas a dinâmica dos dados segue melhorando e a perspectiva de reabertura nos próximos meses é cada vez mais forte. O Brasil tem conseguido administrar mais de um milhão de doses diárias de vacinas e a vacinação está começando atingir boa parte dos grupos de risco, que representam mais de dois terços das mortes por Covid no país. Os dados de atividade dos dois primeiros meses do ano foram melhores do que o esperado, mostrando resiliência após o esgotamento de alguns programas de estímulo, como o auxílio emergencial. Com uma grande contribuição do câmbio e dos preços de commodities, a inflação de doze meses está rodando 0.85 p.p. acima do teto da meta, em 6.1%, e deve continuar o movimento de alta até arrefecer no segundo semestre. O Copom continuou a trajetória de subida da Selic, com aumento de  0.75%, para 3.5%, conforme o esperado, e ainda sugeriu mais uma elevação no mesmo nível para a próxima reunião. Manteve-se o discurso de “normalização parcial” que o comitê vem adotando, embora as projeções de inflação para 2022 já tenham começado a se movimentar e ultrapassaram o centro da meta no Relatório Focus. Além disso, ressaltou-se novamente que a pressão inflacionária no curto prazo, vinda principalmente de preços administrados, é um choque de natureza temporária.

    O orçamento deste ano foi sancionado no limite do prazo, com vetos parciais para contornar a peça inexequível apresentada inicialmente, mas deixando os gastos da área da saúde fora do teto, assim como em 2020. O Governo e o Congresso fecharam um acordo que pode elevar os gastos de combate à pandemia fora da meta fiscal e do teto de gastos, o que também permitiu a renovação dos programas de crédito a micro e pequenas empresas (Pronampe) e de redução de jornada (Bem). A janela política de curto prazo pode ter desenvolvimentos positivos, como o avanço da reforma administrativa, tributária ou anúncio de privatizações. No entanto, a pressão vinda do Legislativo com a CPI da Covid e o início da campanha presidencial da oposição pode acabar restringindo a possibilidade de alguma reforma mais significativa. Surpresas negativas vindas da má condução da política fiscal ou do ambiente político devem continuar sendo vetores de correção, conforme alertávamos há algum tempo. Outros países da América Latina também estão passando por episódios de turbulência política, como a Colômbia e o Peru, o que pode motivar fluxos maiores de saída do investidor estrangeiro pela região.

    As perspectivas de crescimento econômico seguem se fortalecendo nos EUA, com uma consistente melhora da mobilidade vinda do controle da pandemia e da rápida vacinação. Além disso, em pouco mais de 100 dias de governo, Biden já apresentou mais de 6 trilhões de dólares em propostas de gastos adicionais, quase 30% do PIB americano. Até agora, já foi aprovado o ARP (“American Rescue Plan”), garantindo US$1.9 trilhões em gastos, via pagamentos de US$1,400 para famílias americanas e extensão dos US$300 em benefícios do seguro desemprego até setembro. Com os estímulos, a renda pessoal aumentou 21.1% de fevereiro para março e o consumo no trimestre cresceu a uma taxa anualizada de 10.7%, uma das maiores do Pós-Guerra. O PIB do primeiro trimestre cresceu a uma taxa anualizada de 6.4%. Embora PIB nominal ainda não tenha ultrapassado o nível pré pandemia, os indicadores de atividade de alta frequência seguem apontando para um forte aquecimento da economia. As vendas de casas estão no maior nível desde 2006 e os índices de confiança do consumidor seguem ultrapassando as expectativas. Os custos com mão de obra aumentaram acima do esperado no primeiro trimestre, guiados pela inflação de salários, algo que deve se fortalecer conforme a reabertura se amplifique e a recuperação no mercado de trabalho seja plena.

    O Fed continua a ressaltar o fato de que a recuperação é incompleta, inclusive com menções à taxa de desemprego das pessoas de baixa renda. A postura da autoridade monetária americana diverge de alguns bancos centrais de países desenvolvidos, que começaram a discussão de retiradas de estímulos. Os Banco Centrais do Canadá e da Inglaterra, por exemplo, anunciaram recentemente uma redução no ritmo de compras mensais de ativos. Os preços de commodities industriais estão em alta e algumas das cadeias de suprimentos enfrentam escassez, como a de semicondutores. A inflação de alimentos segue sendo um elemento de pressão em diversos países, o que tende a impactar mais negativamente a cesta de consumo dos emergentes do que desenvolvidos. A tendência de alta da inflação e das taxas de juros, pelo menos de mercado, já parece disseminada.

    Fonte: Bloomberg. Números ponderados a partir do peso dos países no PIB mundial pelo método da PPC

    No curto prazo, os mercados globais parecem estar especialmente preocupados com os impactos de uma volta da inflação no mundo e seu efeito sobre os juros, principalmente por conta da abundância de liquidez e fluxos expressivos para ativos de risco que vivenciamos nos últimos anos. Mais a longo prazo, enquanto tivermos um crescimento acima dos juros reais, provavelmente não veremos uma grande preocupação com relação à sustentabilidade da dívida pública de alguns países desenvolvidos, ou com as políticas fiscais frouxas que vem sendo adotadas há algum tempo.  Segundo dados do UBS, o déficit agregado dos governos em 2020 representou 11% do PIB mundial, enquanto a expansão dos balanços de bancos centrais representou cerca de 13%. A hipótese de que essas políticas fortemente expansionistas representam um risco inflacionário relevante, principalmente nos países desenvolvidos, foi pouco assertiva no passado. Após os mais de 6 anos de expansão de balanço do Fed com a crise de 2008, os preços cresceram de forma modesta, inclusive criando problemas para o atingimento das metas inflacionárias correntes.

    É possível argumentar que o balanço expansionista do Fed já criou alguns problemas no passado, embora não seja clara a relação entre o enxugamento de balanço e a turbulência no mercado de ações em 2018. A política de enxugamento, iniciada em setembro de 2017, durou praticamente 2 anos e diminuiu o balanço de US$ 4.5 trilhões em 2015 para US$ 3.8 trilhões em agosto de 2019, quando o movimento foi revertido. O fato é que hoje essa conta chega a mais de US$ 7.7 trilhões. O balanço do Fed saiu de 24.4% do PIB americano em dezembro de 2015 para 19.3% ao final de 2019. Em abril de 2021, o balanço do Fed representava 36.4% do PIB americano.

    Com a devida licença poética, as economias modernas têm funcionado como um grande carro. O dinheiro é a gasolina, o crédito é o motor, os bancos centrais são os postos e os governos são os motoristas. Estamos em uma altura do campeonato onde os postos baixaram muito o preço da gasolina e o frentista está dirigindo o carro. Os motoristas pisaram tão fundo que a pergunta é: o motor vai superaquecer? Os freios aguentam uma parada mais brusca? Algumas economias são carros usados com freio a tambor desgastado e outras são carros zero com freio a disco nas quatro rodas, mas o problema essencialmente é esse. Se e quando isso vai acontecer, ninguém sabe.

    Dito isso, temos em mente que é necessário ter muito cuidado quando pensamos em tendências, uma vez que a mente humana tem certas dificuldades de incorporar não linearidades ou até perturbações que podem impactar significativamente os resultados das suas projeções, principalmente no mercado financeiro. Acreditamos que o mundo passou por um processo de transformação relevante nas últimas décadas, o que aumentou a sua complexidade. A grande verdade é que não deveríamos tentar fazer grandes projeções sobre o futuro a longo prazo, porque simplesmente não vemos vantagem em fazê-lo.

    O que fica claro é, quanto maior a incerteza sobre esses temas, mais certa é a maneira com a qual temos que agir com relação a eles. Ao longo destes últimos anos, temos sido cada vez mais focados no nosso comportamento como investidores de longo prazo, tentando construir uma carteira que resiste ou até que se beneficia das grandes transformações e do aumento de complexidade. Nesse sentido, é muito mais fácil tentar olhar a variação, o rumo que as coisas estão tomando, e tentar ajustar o seu portfólio, do que fazer previsões sobre o destino do mercado em uma linha reta.

  • Um terço dos fundos DI para pessoas físicas reduz taxa na crise, mas poucos rendem mais de 80% do CDI

    Na reportagem do Infomoney, o nosso gestor de portfólios, Renato Iversson, comenta sobre o desempenho dos fundos DI. Segundo ele, a opção de investimento pode fazer sentido como parcela de reserva de emergência ou para quando o investidor pretende usar os recursos no curto prazo.

    Para ler, acesse o link: https://www.infomoney.com.br/onde-investir/um-terco-dos-fundos-di-para-pessoas-fisicas-reduz-taxa-na-crise-mas-poucos-rendem-mais-de-80-do-cdi/

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