Mês: <span>dezembro 2020</span>

  • Entenda os mercados internacionais: desafios e oportunidades para investir

    Beny Parnes, gestor de crédito da SPX Capital e ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, comenta em live da Taler sobre investimentos no exterior como estratégia para diversificação e impactos da pandemia nos mercados globais

    Os investidores interessados em diversificar o seu patrimônio no exterior precisam ter uma visão atenta para os movimentos dos mercados internacionais.

    Em live realizada pela Taler Gestão de Patrimônio, Beny Parnes, gestor de crédito da SPX Capital e ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, analisou as economias mundiais e como os países estão reagindo à crise do coronavírus. A entrevista foi conduzida por Gustavo Sandoval, sócio-fundador da Taler, e Thiago Vitorello, gestor internacional.

    Para os participantes, mesmo em tempos de pandemia, a estratégia de investir em ativos internacionais pode reservar boas oportunidades e minimizar riscos.

    O evento está disponível ao final da matéria e no canal no Youtube da Taler.

    Os impactos da pandemia no mundo

    Beny Parnes destaca que a pandemia atingiu as economias dos países ao redor do mundo de maneira muito diversa. Em geral, as sociedades mais desenvolvidas e organizadas economicamente sofreram menos as consequências do que os emergentes.

    “Todos os países fizeram uma resposta fiscal muito forte, na casa de 10% do PIB”, comenta. Os governos implantaram programas para socorrer famílias e empresas, como com concessões de crédito e transferência de renda.

    Nos Estados Unidos, por exemplo, o Federal Reserve (Fed) atuou fortemente para injetar liquidez no mercado e com estímulos monetários. A taxa de juros no país se mantém na faixa de 0% a 0,25% ao ano.

    Na opinião de Parnes, alguns países do oriente estão se recuperando bem da crise, principalmente apoiados pela indústria de manufatura, como é o caso da China. Já países do ocidente reagiram com o aumento da dívida pública em resposta à crise. “O mundo emergente fez um esforço para se segurar, sofreu muito mais com a pandemia”, diz.

    Investimentos no exterior como estratégia de diversificação

    Sabe aquela lição básica no mundo dos investimentos sobre diversificação? Beny Parnes exemplifica bem a questão com a seguinte comparação: pense que o investidor é o dono de uma ilha onde há um coqueiro. Para ele garantir que terá coco, faz um acordo com os donos de outras ilhas. Todos dividem as produções dos seus coqueiros.  Assim, caso uma ilha tenha prejuízos, um “vizinho” poderá contar com o outro. A mesma lógica serve para os ativos no exterior. É uma estratégia para ter uma carteira diversificada, como forma de se proteger dos riscos.

    “Nós vivemos em um país emergente, onde a turbulência macroeconômica já tende a ser maior”, afirma Parnes. Diante da incapacidade de prevermos os acontecimentos futuros, a orientação se torna ainda mais importante. “Onde você ganha a sua renda, você não deve deixar todo o seu dinheiro, por mais que pareça o melhor negócio do mundo”.

    Com a queda histórica da taxa de juros e aumento na cotação do dólar, mais investidores consideram essa como uma opção interessante. Há dois caminhos para diversificar os investimentos no exterior. O primeiro é entrar em ativos negociados no Brasil e atrelados a mercados internacionais, como os fundos de ações estrangeiras, os fundos cambiais ou até ações de empresas globais listadas no mercado brasileiro. O segundo é enviar o dinheiro para o exterior e efetivamente buscar títulos lá fora. Investir em outras moedas e regiões geográficas é uma tarefa que exige uma boa análise e acompanhamento das economias globais.

     

  • Carta Mensal Taler – Dezembro 2020

    ““Prices are too high” is far from synonymous with “The next move will be downward.” Things can be overpriced and stay that way for a long time … or become far more so.”

    Howard Marks

    O mês de novembro foi marcado por um ambiente benigno para ativos de risco nos mercados globais decorrente da diminuição das incertezas com relação à eleição nos Estados Unidos e da perspectiva de uma recuperação mais ampla da economia graças a notícias favoráveis das vacinas. No Brasil, a agenda política pouco andou em decorrência das eleições municipais, mas bom humor global contaminou os mercados com uma entrada de R$ 33 bilhões do investidor estrangeiro na bolsa local, que teve seu melhor mês desde 2016, subindo 15,90%.

    Um dos vetores de otimismo global no mês veio das eleições americanas. O candidato democrata Joe Biden foi eleito o 46º presidente dos Estados Unidos e o medo de judicialização das eleições desapareceu. Com isso, houve uma melhora na perspectiva de um novo pacote de estímulos para a economia americana e das expectativas com relação à política externa em torno de um governo mais favorável à globalização e comércio internacional. A perspectiva de um maior volume de comércio entre os países e maior crescimento Chinês pode ter favorecido um movimento de entrada em países como o Brasil, onde a bolsa estava mais descontada em relação aos seus pares. Acreditamos que ainda é cedo para bater o martelo sobre como será a política externa americana nos próximos anos, mas a abundância de liquidez nos mercados internacionais faz com que o mercado compre no rumor e venda na notícia.

    Com relação à Covid-19, tivemos múltiplos desenvolvimentos positivos de tratamentos e vacinas. No dia 09 de novembro, a vacina de RNA mensageiro (mRNA) da Pfizer/BioNTech apresentou dados preliminares indicando que a vacina obteve uma efetividade estimada em 90%. Duas semanas depois, outra vacina de mRNA da Moderna também apresentou dados preliminares positivos e tivemos a aprovação emergencial da FDA para o coquetel de tratamento da Regeneron (REGN-COV2). A perspectiva mais material da resolução da crise da Covid-19 incitou um movimento de rotação no mercado acionário, que saiu de ações de “crescimento” para ações de “valor”, algo que também foi benéfico para as blue chips brasileiras.

    No cenário local, a agenda política ficou parada enquanto as eleições municipais marcaram uma vitória para os partidos de centro, que abocanharam a maior parte dos orçamentos municipais. No curto prazo, o otimismo global tomou conta do mercado de ações, enquanto a curva de juros continuou a sofrer com o aumento da inflação de curto prazo. As preocupações com relação ao fiscal se mantém e a resolução deste problema deve exigir uma ampla agenda de reformas para o ano que vem.

  • O que esperar para a economia brasileira em 2021, por Gustavo Franco

    Em live promovida pela Taler Gestão de Patrimônio, o sócio-fundador da Rio Bravo Investimentos e ex-presidente do Banco Central comentou sobre aspectos econômicos que o investidor deve ficar de olho

    Prestes a dizer adeus, o ano de 2020 não foi fácil para a economia. A pandemia do coronavírus abalou os mercados mundiais. No Brasil, a quarentena foi decretada em março, com o fechamento dos comércios e restrições aos serviços, provocando queda do ritmo econômico e aumento do desemprego. Quais as expectativas para 2021? O futuro ainda é incerto, a recuperação segue em passos lentos e a orientação ao investidor é ter cautela.

    A Taler Gestão de Patrimônio discutiu as perspectivas econômicas para 2021 em live com Gustavo Franco, o sócio-fundador da Rio Bravo Investimentos e ex-presidente do Banco Central (BC). Em conversa com Renato Pupo Netto Iversson, sócio da Taler, o economista fez uma retrospectiva dos principais aspectos que impactam o país e o que devemos acompanhar no próximo ano.

    Você pode assistir ao vídeo completo no final da matéria e no canal da Taler no Youtube.

    Inflação

    Para Gustavo Franco, a inflação deve ser acompanhada com preocupação. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) e o IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado) estão discrepantes. O descolamento entre os dois índices pode ser explicado pela desvalorização do real. Por enquanto, as previsões do BC são de que a inflação para os próximos anos se manterá dentro da meta. “Vai requerer um monitoramento refinado do BC para tentar se antecipar em verificar um sinal de desestabilização de expectativas.”

    Dívida pública

    A pandemia elevou os gastos públicos e reduziu as receitas do governo, e como consequência sairemos de 2020 com uma dívida pública de cerca de 100% do PIB. “Ano que que vem será o primeiro em que teremos esse nível de endividamento e despesa com juros. Nos ajuda o fato de que historicamente a Selic é a mais baixa em muito anos”, diz Gustavo Franco.

    O ex-presidente do BC lembra das recentes crises fiscais sofridas por estados, como Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Há dúvidas se o colapso que atrasou o pagamento de servidores e aposentados poderia chegar à esfera federal. De acordo com Gustavo Franco, o governo federal está preocupado em mergulhar na irresponsabilidade fiscal. O sinal de alerta veio justamente do caos fiscal vivido por alguns estados.

    Auxílio emergencial

    O governo concedeu o auxílio emergencial para ajudar famílias que perderam renda na pandemia. As parcelas foram por três meses no valor de R$600, e depois prolongadas por R$300 até 31 de dezembro. O dilema é se o governo irá manter algum tipo de transferência de renda nos próximos meses, com o aperto das contas públicas.

    O economista comenta que, em alguns estados, os valores do auxílio até aumentaram a renda real, aqueceram setores econômicos e elevaram a taxa de poupança. “O ideal seria que o auxílio fosse substituído por um mecanismo que, inclusive, consolidasse outros programas de transferência direta”, defende. Algumas ideias são de unificar o auxílio emergencial com abono salarial e bolsa-família.  O desafio é fazer o dinheiro chegar para quem realmente precisa.

    Investimentos em 2121

    O cenário de queda na taxa de juros empurra os brasileiros para investimentos de maior risco. Se por um lado a mudança beneficia o aquecimento econômico do Brasil, por outro diminui a rentabilidade da renda fixa e títulos públicos.

    Na opinião de Gustavo Franco, determinadas classes de ativos ainda reservam potencial de crescimento, com capacidade de atrair mais investidores, como produtos estruturados (FIDC, CRI, CRA) e os fundos imobiliários.

    Para ficar no radar em 2021, o estrategista-chefe da Rio Bravo também destaca as novidades do mundo digital aplicadas ao mercado financeiro. Os fundos quantitativos, ou chamados de fundos quants, crescem como opção interessante. A composição de uma carteira é feita por algoritmos, programação e modelos matemáticos, a partir de uma análise quantitativa. Com o uso da tecnologia, o objetivo é proteger os investimentos das oscilações do mercado e minimizar os julgamentos subjetivos.

    Por fim, a ajuda de um profissional pode fazer a diferença para quem quer investir em títulos com maior grau de complexibilidade. O apoio de gestores auxilia na busca por boas oportunidades e um acompanhamento frequente da carteira. “Como o investidor terá que penetrar em áreas novas, em classes de ativos diferentes, o perigo são as fórmulas mágicas. A recomendação é: procure um profissional. Se aconselhe e se informe”, afirma Gustavo Franco.

     

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