Mês: março 2020

  • Órfãos dos juros altos, seus investimentos estão rendendo mais do que a SUA inflação?

    A queda da Selic não trouxe só dúvidas sobre onde aplicar o dinheiro, mas qual índice usar como referência para seus investimentos. O CDI, que serviu um nobre papel como principal termômetro das carteiras por anos, agora morreu — ou pelo menos deveria ter morrido como índice de referênciaCom a Selic em 4,25% ao ano, colocar a régua de rentabilidade mínima que seus investimentos devem oferecer nos 100% do CDI ficou perigoso.

    E principalmente por causa da inflação. Quando a taxa Selic estava em 14%, uma inflação de 4% fazia cócegas. Hoje, já tem aplicação dando retorno real (descontando a inflação) negativo, como a poupança e alguns fundos de renda fixa que cobram altas taxas de administração (acima de 0,5% ao ano).

    Qual referência, então, deve ser usada na hora de calcularmos quanto devemos ganhar para 1) manter nosso padrão de vida e 2) ter rendimentos para acumular patrimônio?

    A resposta é que agora, mais do que nunca, o investidor deve ter na cabeça quanto cada aplicação rende em termos reais — acima da inflação. E embora normalmente as pessoas logo pensem no IPCA quando tratam de inflação, é importante ter em conta que a sua cesta de consumo pode ser diferente da média usada pelo IBGE para calcular o índice oficial de preços.

    Para saber como os endinheirados lidam com isso (e quem sabe aprender alguma lição), fomos ouvir três gestores de fortunas justamente para responder esse tipo de questão e montar um portfólio de investimento que faça seu dinheiro render por mais tempo.

    A conclusão dos especialistas é uma só: a remuneração pelo IPCA é o mínimo que seus clientes precisam ganhar para manter minimamente um padrão de vida e não comer suas fortunas. O segundo passo é rever – e cortar – gastos para que a inflação pessoal deles não extrapole demais seu rendimento.

    Por fim, aplicar em ativos mais rentáveis (e mais arriscados) é quase um consenso, desde que, claro, o perfil dos clientes não seja muito conservador. E eles dão alguns toques valiosos para montar a carteira e escolher investimento.

    Mas, antes de entrar em detalhes, vamos entender por que é importante largar mão do CDI e observar a inflação.

    Os pingos nos ‘is’ das inflações

    Mesmo mais de 25 anos depois do Plano Real, a indexação ainda está presente em muitas coisas no nosso dia a dia. O combustível tem relação com o dólar, o aluguel é reajustado pelo IGP-M, o prato feito leva em consideração o preço da carne no mercado e o pão de queijo, o quanto a padaria vizinha está cobrando.

    Esses são alguns exemplos de como os preços são reajustados. Alguns, por contrato, são atrelados a um índice; outros, pelo preço aproximado do aumento dos insumos na indústria e no campo; mas têm os que são pelo “olhômetro”, a percepção de quanto deveria valer o produto ou serviço pelo que os concorrentes estão cobrando.

    “Quando o restaurante aumenta o preço do cafezinho, não passa de R$ 3,50 para R$ 3,60, mas vai direto para R$ 4. O quilo do buffet já passa de R$ 30 para R$ 33, um aumento de 10%. Dependendo do que consumimos, a nossa cesta de inflação continua sendo maior que o IPCA”, explica Eduardo Akira, sócio da Vero Investimento, escritório de assessoria financeira ligado à XP e com foco em alta renda.

  • Quer fazer seu dinheiro render? Fechar o bolso é o mais importante

    Se você quer viver de renda por mais tempo, é melhor fechar o bolso do que passar horas tentando encontrar os investimentos mais rentáveis possíveis, correndo riscos muitas vezes incompatíveis com seu perfil. Quem mostra isso é a gestora de patrimônio Taler.

    Acostumados a fazer planejamento financeiro e pensar na sucessão de famílias afortunadas, a consultoria fez uma simulação simples que mostra que reduzir as despesas pode ser muito mais vantajoso e até dobrar o tempo em que você terá dinheiro, do que a importância de novos ou maiores aportes nos seus investimentos.

    “As pessoas gastam 99% do tempo olhando como investir melhor seu dinheiro e quase nenhum tempo em como gastar melhor seu dinheiro. O que descobrimos é que mudanças da mesma magnitude nas despesas e nos investimentos têm efeitos diferentes na perpetuação do patrimônio”, explicou Rodrigo Sgavioli, diretor de Planejamento Patrimonial da Taler.

    O exemplo é o seguinte. Imagine uma família hipotética com um patrimônio acumulado de R$ 36 milhões, uma receita mensal de R$ 50 mil e uma despesa de R$ 150 mil por mês. Os rendimentos financeiros dessa família estão rendendo em torno de 6,5% ao ano. Descontente com o retorno e preocupada com a perenidade de seu dinheiro, a família resolve ir atrás de uma consultoria para fazer seu dinheiro render mais.

    Cenário 2 – De suas fontes de receitas, como aplicações financeiras, participações societárias e imóveis, a mais fácil de mexer é a primeira – afinal, existem opções mais rentáveis no mercado financeiro, ainda que mais arriscadas.

    Depois de muita pesquisa, ela consegue que os R$ 20 milhões que estão aplicados em ativos financeiros renda 25% a mais, ou seja, saltem de 6,5% por ano para 7,50% anualmente. Só com isso, sem mexer no que entra e sai do caixa, ela conseguirá prolongar em 6% a expectativa de duração do patrimônio em anos, passando de 35,8 anos para 38 anos. Isso, mantendo todo o resto constante.

    Cenário 3 – Mas, se, ao invés de se preocupar em aumentar a rentabilidade das aplicações financeiras, essa família só cortasse seus gastos mensais em 25%, ou seja, gastasse 120 mil reais por mês e não mais R$ 150 mil mensais, o cenário muda. O patrimônio ganha 68% a mais de tempo de vida – pode durar 28 anos a mais. Se a família apertasse o cinto, seu patrimônio demoraria 63,8 anos para terminar.

    “Muitas famílias chegam até nós porque querem melhorar a rentabilidade de suas aplicações e fazer seu dinheiro render por mais tempo. Nós gostamos de usar esse exemplo para mostrar o impacto que os gastos fora de controle tem na perpetuidade do patrimônio. Esse controle é tão importante quanto se preocupar se está investindo corretamente”, comenta Paulo Colaferro, sócio-fundador da Taler.

    Colaferro conta que muitos endinheirados estão aprendendo a usar com mais eficiência seu dinheiro e não esbanjar desnecessariamente. A economia compartilhada, por exemplo, é algo que também chegou à classe A. Para que ter uma casa de campo, uma de praia, um jatinho e um iate sozinho se você pode compartilhar com mais gente e reduzir despesas? Afinal, eles não usam o tempo todo mesmo…

    Reunião com famílias novas e já atendemos que estão preocupadas com a gestão do fluxo de caixa e orçamento familiar. A queda da taxa de juros também está forçando as pessoas a serem mais eficientes”, diz Rodrigo Sgavioli.

    Apesar do exemplo levar em consideração uma família mais endinheirada, ele é importante para mostrar para qualquer investidor a importância de olhar o orçamento familiar com cuidado, principalmente os gastos, no planejamento financeiro e não só os investimentos.

    Por Naiara Bertão, Valor Investe — São Paulo

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